2.8.05

Soares não é fixe

Soares é o tipo de político que neste momento menos precisamos. É um excelente combatente político, capaz de mover montanhas pelos objectivos em que acredita (o que foi importantíssimo para o combate ao PCP e restante extrema-esquerda em 1974/75, bem como para o declínio de Cavaco Silva em 1994/95). É um excelente relações públicas, gerindo muito bem a sua rede de amigos artistas, cronistas, opinion makers, etc. É um excelente manobrador de bastidores. É um político das fugas cirúrgicas à imprensa, da intriga, do boato, da armadilha, da cilada.

O problema é o resto. Não é um político de estudo de dossiers, de análises aprofundadas, de estratégias de desenvolvimento, de gestão do país. É um político de bastidores, não de gabinete. É um político de partido, não de governo. Como ficou comprovado quando foi Presidente e, sobretudo, quando foi Primeiro-Ministro.

Ora, nós precisamos do oposto. De uma garantia de acompanhamento exaustivo e pertinente (pertinente, repito!) da acção governativa. De um Presidente da República atento às políticas e não às politiquices. De um referencial de estabilidade. De Cavaco Silva.

10 comentários:

O Raio disse...

Não gosto do Mário Soares porque foi um dos Vasconcelos que nos meteu neste inferno da União Europeia.
Mas entre Mário Soares e Cavaco Silva prefiro o Mário.
Ambos têm o negativo de serem partidários da integração europeia...
Mas o que um país menos precisa agora é de um Presidente da República economista! Já temos economistas a mais e com poderes a mais!
O país vivia melhor dantes!
Pelo menos não tinha a sua economia estagnada!

Rita disse...

Tenho 27 anos nunca pensei ter a oportunidade de votar no Mário Soares! È bom ter a hipótese de NÂO votar nele!
o Cavaco desiludiu-me muitíssimo aquando das últimas legislativas quando não demonstrou, clara e inequivocamente, o seu apoio ao Santana Lopes e ao PSD. De qualquer forma votarei nele, se tiver essa hipótese... Até quando o tabú?

O Raio disse...

O Cavaco andou dez anos a preparar-se para Presidente, intervindo pontualmente para não nos esquecermos que ele existia.
Agora quando achava que o caminho para Belém era como o dos reis Magos, bastava seguir a estrela, apareceu-lhe um óbice pela frente, Mário Soares.
Se o Cavaco não tiver a certeza de que irá ganhar, cobarde como é, não se apresentará.
O que seria o melhor para todos nós pois em seu lugar iria provavelmente o Marcelo Rebelo de Sousa que tem pelo menos a vantagem de não ser economista.
E entre Marcelo e Soares sempre existe hipótese de escolha, o que não existe em Cavaco e Soares... só a Rita (que ataca logo na ofensa) é que seria capaz de votar em Cavaco.
Um horror, um economista na presidência! Era estarmos à beira do abismo e darmos um passo em frente...

Anónimo disse...

Olha que não!

Soares do alto dos seus 80 anos, é um monumento vivo da História de Portugal.
Sempre soube o que queria e continua lúcido nos seus objectivos.
Quer queiramos, quer não, Soares é internacionalmente conhecido, respeitado e ouvido.
Tem uma imagem de peso, nos dois sentidos, ao contrário de Cavaco Silva, que é magro, com tiques de autoritarismo e convencido demais. Quem não se lembra do “raramente tenho dúvidas e nunca me engano”, ou na versão mais suave “ não tenho dúvidas e raramente me engano.”
Cavaco Silva é um economista, com uma visão economicista, o social são para ele palavras soltas de uma realidade pouco importante.
Passados mais de uma década dos ditos “fabulosos Governos” de Cavaco Silva, quem for honesto intelectualmente, desmontará o mito, bastando recorrer às estatísticas e conclui-se que foram governos de oportunidades perdidas, sendo estes frutos apodrecidos os que estamos a colher agora.
Soares foi péssimo Primeiro-Ministro, mas pelo menos os seus governos dotaram os portugueses de regalias sociais até então inexistentes e salvou-nos da banca rota por duas vezes. E era um péssimo Primeiro-Ministro, enquanto Cavaco aparece como um excelente economista ( não duvido que seja um bom economista), mas a economia não é tudo e o seu trabalho à frente de dois Governos maioritários, foi a causa da maioria dos nossos problemas actuais, quase inteirinhos da sua única responsabilidade, pois é conhecido o seu “pulso de ferro”. Era ele que tomava as decisões.
Durante os Governos de Cavaco, senti-me atrofiado, imaginei muitas vezes o que seria a “ Idade das Trevas”.
Um homem destes, não merece a Honra de ocupar o cargo de Presidente da República, nem por mais que se esforcem conseguirão equipará-lo a Mário Soares.
Além do mais, um Presidente não GOVERNA, gere equilíbrios.

fmsb disse...

Antes de mais cumprimentos para todos. Apesar da minha tenra idade, gostava de partilhar a minha opinião convosco sobre este tema. Quero primeiro frisar que não farei qualquer comentário partidário.

Portanto, respondendo ao 1º comentário de "o raio", creio que a União Europeia não seja um inferno, pois o tempo do "Orgulhosamente Sós" já lá vai. E a atitude anti-economistas, a meu ver, não será a melhor, pois o que é um país senão economia? O facto de um país viver melhor num dado instante não é sinónimo de prosperidade. Portugal tem falta de políticos com visão a longo prazo, e cito Marquês de Pombal: "Agora estas ruas podem ser demasiado largas, mas um dia hão-de ser estreitas".

Agora respondendo ao comentário de "rita", creio que o facto do não apoio pela parte de Cavaco Silva à candidatura de Santana Lopes só mostra o não clubismo/partidarismo de alguns ilustres Portugueses. Se Cavaco Silva não se revia na situação do PSD naquela altura, não iria certamente ser cunivente/cúmplice em algo que não acredita. Agora, concordo, de facto, que talvez certas atitudes devam ser moderadas quando se foi Presidente desse mesmo partido. E, por conseguinte, percebo a frustração que daí possa advir a Santana Lopes.

Agora, respondendo ao comentário de "anónimo", mediante saber livresco, essa frase atribuída a Cavaco Silva não foi, de facto, por ele proferida. Quanto a Cavaco Silva ter uma visão economicista, este auto intitula-se de tecnocrata de economia e não um político no sentido literal da palavra. O seu conhecido "braço de ferro" é característica que deveria ser intrínseca a qualquer Primeiro-Ministro/Líder, não descurando, claro, a análise da pluralidade de opiniões entre aqueles que constituem um Governo por parte do próprio Líder. Isto é, após a análise de opiniões diversificadas de constituintes governativos (ministros) deverá tomar uma decisão irremediavelmente irreversível (a não ser por nobres motivos de força maior).

E por agora, creio que seja tudo, e espero ter enriquecido este blog.

Cumprimentos.

Francisco S. disse...

Não dou importância absolutamente nenhuma a partidarismos, especialmente a juventudes partidárias, onde os meninos brincam à política e procuram decorar as opiniões dos seus incompreendidos ídolos, para assim serem dignos portadores da bandeira... Mas há momentos mais quentes em que não se consegue ficar indiferente a algumas maneiras de estar na sociedade, como a que revela este artigo de opinião. Acho simplesmente maravilhoso ler os eternos críticos do actual presidente da república a mostrar serem convictamente a favor de um titular do cargo atento às políticas e que acompanhe coerente e "exaustivamente" a acção governativa. Eu, sinceramente, nem sou grande admirador da maneira de estar na política do dr. Jorge Sampaio, mas incomoda-me a apresentação de determinados argumentos que só a favor dos "fervorosos ídolos" se adequam, revelando precisamente a total incapacidade de análise, ou, pelo menos, para ser mais justo, uma comovente ignorância. Acredito firmemente que a juventude portuguesa ocupava melhor o tempo a estudar o que quer que seja. Se é a política que mais atrai, que se estude história, que se perceba, pelo menos, de onde as designações "socialismo", "social-democracia", "comunismo" surgem e porquê. Acho bem que se opine e se esteja atento à vida política, qualquer que seja a idade, mas autonomia cerebral não faz mal a ninguém procurar.

Fernando Bravo disse...

raio, precisamos de economistas, mas dos bons, sem cairem na tentação do populismo!

rita, não é tabu, mas calculismo (se é melhor ou pior, não sei).

anónimo, um Presidente não governa, mas pode e deve acompanhar a acção do Governo, pondo-o na linha quando necessário. Cavaco teve muitos defeitos quando 1º Ministro, mas prefiro-o de longe ao Soares (é muito mais sólido e preparado).

fmsb, a "tenra idade" não se nota! É uma boa análise e sem dúvida que enriqueceu este blog. É verdade que o Cavaco nunca disse que nunca se enganava e raramente tinha dúvidas.

francisco s., nas juventudes partidárias há de tudo. Incluindo quem saiba a origem das palavras socialismo, social-democracia, comunismo, etc. Eu estive numa Universidade de Verão da JSD onde ouvi o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa a dar uma excelente "aula" sobre as origens ideológicas do PSD e a sua ideologia actual. E já li vários livros de História das Ideias Políticas (há um bastante bom do Freitas do Amaral). Não sou caso único. Claro que há outros que não ligam tanto a essas questões, mas em qualquer grande organização há pessoas de toda a forma e feitio.

Abraço para todos!

Anónimo disse...

Cavaco nunca disse esta frase, Cavaco é um tecnocrata e não político, foi um líder firme etc e tal...
E o outro, aquele desconhecido Soares, não há nada a dizer? A banca rota de Portugal? A análise das estatísticas dos governos de cavaco?
São meras irrelevâncias alaranjadas.
Interessa o Mito, pois a realidade é mais nua e crua e desinteressante.

P.S. fmsb, a tua "tenra idade", não é, nem deveria ser para aqui chamada e a tua modéstia deveria ter-se limitado a poupar "e espero ter enriquecido este blog", pois deverias saber que todas as opiniões são válidas, mesmo as mais insignificantes, por terem esse mesmo valor e constituirem a pluralidade de uma sociedade.

Um abraço a todos.

fmsb disse...

Caro Anónimo, sinceramente sobre Soares tenho um baixo conhecimento de causa, e, como tal, n me acho numa posição para fazer um comentário plausível acerca do mesmo. Se interpretasses como deverias, e visto todas as opiniões serem válidas, perceberias que eu n fiz nenhuma comparação. Quanto à minha tenra idade, não percebo a sua importância que até tem direito a um comentário teu, secalhar fiz bem em falar da mesma, assim hoje podemos ler falácias "anónimas" neste blogue. E como todas as opiniões são válidas, acredito que todas enriqueçam este blog, logo n assisto a qq falta de modéstia. O mesmo n poderei dizer do teu comentário com ar de doutrina.

Cumprimentos.

Fernando Bravo disse...

Anónimo, é óbvio que Soares fez coisas positivas. Mas em comparação com Cavaco, para mim, fica claramente a perder.

Abraços!