Mostrar mensagens com a etiqueta Política. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Política. Mostrar todas as mensagens

13.9.12

Entre a acefalia e a bicefalia: uma viagem ao Bloco de Esquerda (segurem-se bem!)

Já sabemos que a Esquerda é arrogante: considera-se mais solidária, mais defensora dos desfavorecidos, mais justa, mais desinteressada, mais pensadora, mais cultural – e mais humilde, claro está. A Direita, obviamente, é o oposto: move-se pelo lucro, pelos interesses, pelo poder, pelos capitalistas, etc., etc., etc. Corolário desta arrogância de Esquerda: quando faltam os argumentos, apelida-se a Direita de fascista, nem que seja completamente a despropósito.

Também já sabemos que quanto mais à Esquerda, maior a arrogância. Basta ouvir um discurso de Louçã para percebermos que aquele homem é senhor da verdade do mundo e, claro está, que os oponentes são a escumalha da Terra. Por isso soa como um pregador puritano que nos tenta fulminar com a sua mensagem: o Bloco detém a Verdade Pura, a Direita é o desvio, a personificação do Mal.

Obviamente, segundo a propaganda do Bloco a sua ideia de Democracia é a mais pura e a sua ideia de organização interna é a única que assegura verdadeira democraticidade no seio de um movimento político.

Exploremos um pouco mais estas ideias propagandeadas.

O Bloco defende realmente uma democracia diferente. Apelida o sistema democrático representativo vigente de “falsa democracia” ou de “democracia burguesa”. Em alternativa, propõe uma democracia “directa”. Esta consiste em níveis sucessivos de assembleias supostamente abertas à participação de todos, discutindo tudo, decidindo colectivamente, de preferência por consenso.

Por isso se excitaram tanto com as Assembleias Populares que começaram a surgir em Espanha e com o movimento Occupy Wall Street. Tentaram replicar a ideia por cá, com o (in)sucesso que conhecemos. Aquele aglomerado de pessoas e piolhos que se reunia na Praça da Batalha, no Porto, com frases tão líricas quanto vazias, deveria supostamente galvanizar o Povo do Porto, levá-lo a discutir o futuro da cidade e do mundo e encostar às cordas a Democracia Representativa. Em vez disso, como sabemos, não conseguiu a adesão de ninguém a não ser deles próprios e de uns jovens alemães e espanhóis que viajam pela Europa a pregar as maravilhas da democracia directa a troco de alojamento e comida grátis – turismo low-cost político, uma novidade.

A verdade é que o Povo do Porto ignorou olimpicamente a Assembleia Popular da Batalha, como o Povo de Lisboa ignorou a Assembleia do Rossio e o Povo de Nova Iorque a Assembleia do Occupy.

Como reagiu o Bloco?

Primeiro, com a habitual vitimização. A culpa, obviamente, é do sistema. As pessoas andam enganadas pela Comunicação Social, temerosas de afrontar os interesses (a vitimização face a uma suposta repressão terrível dos poderes intalados é outra constante da Extrema-Esquerda), adormecidas pela descrença na possibilidade de mudança, perseguidas à bastonada pela polícia (no Chiado, depois de insultarem e atirarem objectos a polícias que nada lhes tinham feito, lá veio a polícia de intervenção dar umas bastonadas para contentamento da sua teoria da forte repressão policial).

Segundo, com a certeza que uma correcta “consciencialização” do Povo irá mudar tudo, nascendo uma nova Democracia (haja paciência para esta gente, nunca aprendem nem desistem).

Para os bloquistas, não podem é restar dúvidas que esta forma de democracia “directa”, “popular” e “colectivista/consensual” é a única forma de Democracia verdadeira, a única forma de Democracia pura.

Muito interessante é a transposição destes conceitos de Democracia para o seu funcionamento interno enquanto movimento político.

Seria de imaginar que o Bloco teria uma organização interna “directa”, “popular” e “colectivista/consensual”, certo?

Eles tentaram, mas falharam.

Numa primeira fase, a Mesa Nacional era o órgão máximo do movimento. Não havia nenhum líder e todas as decisões seriam tomadas por esse órgão colectivo.

Era a acefalia (ausência de cabeça ou líder) a que me refiro no título deste artigo.

De facto, ao falar em acefalia bloquista não queria insinuar que a massa cinzenta não abunda para aqueles lados (se bem que…). Queria apenas aludir a esta ideia purista de ausência de líder, de decisões colectivas/consensuais, de poder partilhado por todos, que supostamente está no DNA do Bloco e estaria nesta primeira liderança colectiva.

Claramente esta ideia provém das correntes trotsquistas dentro do Bloco e é herdeira da crítica de Trotsky à ditadura do regime soviético de Estaline. Para Trotsky, um dos principais desvios do comunismo soviético face ao socialismo “puro” era a natureza ditatorial do regime – embora nunca se tenha queixado da mesma enquanto esteve no topo do poder, no tempo de Lenine, mas enfim...

Voltando à evolução do tipo de liderança no Bloco: obviamente esta organização acéfala era muito bonita mas pouco ou nada prática. Imagino que o tempo de resposta nem sempre seria o melhor.

Passaram então a uma segunda fase, em que entenderam útil eleger um líder. Perdão, um Coordenador! A designação não era casual: o Bloco nunca poderia ter um líder ou presidente. Mesmo um secretário-geral (ou qualquer outra designação que evidenciasse um “primus inter pares”) seria uma traição ao espírito colectivista. Abrenúncio!: Louçã seria um mero Coordenador, um instrumento para agilizar a implementação das decisões colectivas.

Todos sabemos que Louçã foi bem mais do que isso, mas o manto moral tinha de ser preservado.

Entramos agora na terceira fase, a da sucessão de Louçã. E este, apesar de todas as grandiloquentes proclamações colectivistas, não resistiu à tentação muito pouco democrática de escolher sucessor, qual monarca árabe. Então e a discussão colectiva? Então e a decisão por consenso? Então e a superioridade democrática face aos outros partidos? Era tudo um castelo de ilusões em vias de ruir estrondosamente.

De facto, inicialmente Louçã escolheu João Semedo. E houve quem não gostasse, nomeadamente os ex-UDP. Só depois dos ex-UDP recusarem a escolha de João Semedo é que começaram a procurar uma outra solução.

E que solução foi essa? A bicefalia! A liderança passará a ser detida por João Semedo e Catarina Martins.

(Uma curiosidade: recentemente eram os ex-PSR – Louçã e companhia limitada –, supostamente trotsquistas e, portanto, colectivistas, que queriam uma solução de liderança individual com João Semedo; e eram os ex-UDP – Fazenda y sus muchachos –, supostamente maoístas e, portanto, menos dados a lirismos de liderança colectiva, que queriam uma solução colectiva. Ainda agora se vê que são os ex-PSR a querer a solução bicéfala e os ex-UDP a querer a solução colectiva, donde se vê também que as diferenças têm mais a ver com personalidades e nomes do que com elevados princípios morais e democráticos. Isto vai começar a aquecer para aqueles lados!)

Esta solução bicéfala tem muitos aspectos curiosos:

Desde logo, há uma clara indigitação dos novos líderes pelo Querido Líder cessante, muito longe da democracia interna de qualidade supostamente superior que tanto apregoam. As eleições directas do PSD, do PS e do CDS são claramente mais democráticas que esta solução imposta de cima para baixo.

Depois, é claramente uma solução de compromisso entre dirigentes de topo desavindos, mais uma vez de cima pra baixo, alienando a totalidade dos militantes que se vêem perante um facto consumado.

De facto, eu entenderia que continuasse a existir apenas um líder ou que se voltasse a uma solução colectiva. O que não entendo é a solução bicéfala.

De facto, porquê dois líderes?

Se fosse só um seria menos democrático? Isso significa que a liderança de Louçã foi pouco democrática?

Quando é só um, há tendência para o autoritarismo? Isso significa que a liderança de Louçã foi autoritária? A solução de um só líder não resultou? Isso significa que a liderança de Louçã falhou?

E porquê dois e não três ou quatro ou vinte? O que torna a liderança bicéfala melhor que uma liderança tricéfala, quadricéfala, multicéfala?

Para revestir esta solução com um manto de elevados princípios morais e políticos, os proponentes desta solução apelidaram-na de “paritária”. O Bloco poderia assim manter a sua arrogância política: estaria de novo na vanguarda política, sendo o primeiro partido político a ter uma liderança “paritária”. Que modernos!

Mas, mais uma vez, porquê paritária em género sexual e não paritária em origem geográfica, alguém do interior e alguém do litoral? Ou paritária em orientação sexual, alguém hetero e alguém homo? Ou paritária em idade? As possibilidades de combinação paritária são infinitas!

E porque estão a excluir os transsexuais e transgenderistas? Logo o Bloco, que tanta atenção dedica a estas questões de géneros!

A verdade é que o número não revela a qualidade democrática da liderança. Não se é mais democrático por se ter dois em vez de um.

De facto, um líder (individual) pode respeitar integralmente as regras democráticas, executar apenas o programa do mandato que lhe foi conferido e consultar periodicamente os seus eleitores. E, do mesmo modo, uma liderança grupal pode mandar sem ouvir ninguém fora desse grupo restrito nem atender ao interesse geral – chama-se a isso Oligarquia e já existe desde a Grécia Antiga.

Donde que podem tentar cobrir esta solução de liderança com mantos de democracia avançada, paritária, progressista, o que quiserem. A verdade é esta: é uma solução de recurso, imposta de cima para baixo, que nada tem de democrática.

O manto caiu: falam em democracia “directa”, mas na verdade querem é que seja controlável; falam em democracia “popular”, mas na verdade querem é que seja ditada pelos seus próceres; e falam em democracia “colectivista/consensual”, mas na verdade querem é que seja manipulada para os seus objectivos. O autoritarismo sempre latente na extrema-esquerda está a vir ao de cima.

Obviamente, nem todos no Bloco estão a aceitar isto passivamente.

Assim, terminamos esta viagem ao Bloco com um vislumbre do destino a que não poderá escapar: o Bloco vai explodir, por entre diferenças insanáveis de estratégia por motivos de elevadíssima moral política que conduzirão a conflitos tristes que estilhaçarão o Bloco em mil pedaços. Ok, vá, talvez não em mil mas pelo menos em seis ou sete.

Numa coisa concordo com eles: o futuro será melhor. Só que não será deles – felizmente!

7.7.11

Livres

Neste momento, em Portugal, precisamos que todos os homens e mulheres Livres dêem um passo em frente. Ninguém se pode demitir da responsabilidade actual para com o nosso país. Precisamos que as decisões difíceis sejam apoiadas e, mesmo, exigidas por todos aqueles que sabem em que situação estamos e que não devem obediência a nenhum grupo de interesses.

Precisamos de todos os que são livres dos partidos, dos sindicatos, dos aventais, da obra, dos grupos económicos, dos grupos mediáticos, dos grupos religiosos, dos grupos profissionais, dos grupos académicos, da função pública, das agências de rating, dos especuladores, dos monopólios, dos oligopólios protegidos, dos oligopólios escondidos, dos lobbies e de todo e qualquer grupo de interesse que para aí exista.

Mas como assim seríamos poucos, precisamos também dos que são livres nos partidos, nos sindicatos, nos aventais, na obra, nos grupos económicos, nos grupos mediáticos, nos grupos religiosos, nos grupos profissionais, nos grupos académicos, na função pública, nas agências de rating, nos especuladores, nos monopólios, nos oligopólios protegidos, nos oligopólios escondidos, nos lobbies e em todo e qualquer grupo de interesse que para aí exista.

Precisamos de ouvir a sua voz na sociedade cada vez que um grupo de interesses procure manter o seu benefício em detrimento do bem comum.

Precisamos de ouvir a sua voz na sociedade cada vez que um grupo de interesses lance a agitação e tente o descrédito.

Precisamos de ouvir a sua voz na sociedade se o novo Governo tardar no inadiável ou tergiversar no caminho.

Mas também precisamos de ouvir a sua voz dentro do grupo de interesse, quando este procure manter o seu benefício em detrimento do bem comum.

Mas também precisamos de ouvir a sua voz dentro do grupo de interesse, quando este procure lançar a agitação e o descrédito.

Mas também precisamos de ouvir a sua voz dentro do Governo e dos partidos que o suportam, se estes tardarem no inadiável ou tergiversarem no caminho.

Porque se os seres livres deste país não o fizerem, de forma bem audível, estamos perdidos.

Há que apoiar a salvação de Portugal e há que exigir a salvação de Portugal. Sejamos livres para isso.

28.11.10

JSD

Estou no Congresso da JSD. Tenho 35 anos e só aqui estou (como Convidado) porque a minha mulher é Delegada ao Congresso. Como ela pensa pela sua cabeça, como as eleições para os órgãos nacionais são daqui a poucas horas, como já todos terão decidido o seu sentido de voto e como não penso que a minha opinião influencie quem quer que seja na JSD, posso escrever aqui o que quiser.
.
Posso por isso dar a minha opinião livre. Ouvi muito neste Congresso e, creio, ouvi os principais oradores. Ouvi intervenções de qualidade e outras nem tanto. Ouvi ambos os candidatos. Com segurança, posso dizer que espero que o Duarte Marques seja eleito Presidente da JSD. Pela sua preparação, capacidade de liderança, empenho e dinamismo, a JSD sairá a ganhar por muitos anos.
.
Boa sorte, Duarte!

29.10.10

Caros Governantes Socialistas:

Não digam que não foram avisados. Não digam que a culpa é da crise financeira mundial. Não digam que a Oposição tem de ser responsável, como se os Governos socialistas o tivessem sido em 12 dos últimos 15 anos.
.
Este alerta foi feito a 16 de Dezembro de 2000, pelo então deputado Rui Rio (que exactamente um ano depois seria eleito Presidente da C. M. Porto, mas na altura nem candidato a candidato era - pelo menos publicamente), no primeiro evento político que organizei. Nesse ano de 2000 a crise ainda não tinha chegado ao bolso dos Portugueses (começaria a fazer-se sentir no ano seguinte), Guterres, Sócrates e Cravinho deliravam com as auto-estradas de portagem virtual (como então se chamava às SCUTs) e parecia que tudo se podia comprar a crédito, do frigorífico às férias, passando pela casa e pelas auto-estradas. Depois... depois logo se veria. E viu-se, e vê-se.
.
Este diagnóstico foi feito há dias e é em tudo semelhante.
.
Não venham agora dizer que o PSD não avisou, que o PS não podia imaginar, que o mundo mudou em três semanas, que os políticos são todos iguais. Não são. E hoje temos de mudar rapidamente de Governo, porque os socialistas claramente não souberam gerir o país nos 12 anos dos últimos 15 em que estiveram à frente do Governo do país.
.
Mudemos!
.

22.10.10

Porque se calam os jornalistas?

Serei o único a achar que os jornalistas não fazem perguntas verdadeiramente difíceis, daquelas de entalar, a Teixeira dos Santos e a Sócrates?

Que alguém os devia obrigar a deixar de pôr as culpas nos mercados, nas agências de rating, no mundo-que-mudou-em-15-dias, na Grécia, na Irlanda, na Espanha, em Wall Street e no diabo a quatro?

Que deviam indignar-se quando os socialistas apelam ao sentido de responsabilidade da Oposição, quando eles são os mais irresponsáveis?

Que deviam perguntar porque falharam o PEC I e o PEC II, sendo nós o único país europeu em dificuldades financeiras a ver crescer a despesa, incluindo a corrente e mesmo não contando com os juros da dívida?

Que deviam perguntar incisivamente porque devemos acreditar que desta vez é que é, que desta vez é que vão controlar as contas públicas?

Serei o único a achar isto?

Ou sentem-se todos intimidados? O caso Manuela Moura Guedes terá sido, afinal, um aviso? "Quem se mete com o PS, leva"? É isso?

16.9.10

Ao ouvir a notícia que Portugal se endivida ao ritmo de 2,5 milhões de euros por hora...

... lembrei-me deste trecho do 1º discurso político de Sá Carneiro (1969):

"[...] Por muito que se tenha educado no descrédito da política, é-se forçado a reconhecer que, quando se começa a tomar em profundidade consciência da nossa própria existência pessoal e das realidades que nos cercam, somos constantemente conduzidos a ela [à política].

Desde a educação e futuro dos nossos filhos às nossas próprias condições de trabalho e de vida, desde a liberdade de ideias à liberdade física, aquilo que pensamos e queremos coloca-nos directamente ante a política: seja em oposição frontal à seguida por determinado Governo, seja de simples desacordo, seja de apoio franco.

Porque somos homens, seres inteligentes e livres chamados a lutar pela realização desses dons na vida, formamos a nossa opinião e exprimimos as nossas ideias, pelo menos no círculo de pessoas que nos cercam.

Mas se nos limitarmos a isso, se nos demitimos da intervenção activa, não passaremos de desportistas de bancada, ou melhor, de políticos de café.

A intervenção activa é a única possibilidade que temos de tentar passar do isolamento das nossas ideias e das teorias das nossas palavras à realidade da actuação prática, sem a qual as ideias definham e as palavras se tornam ocas.

Trata-se portanto de um direito e de um dever que nos assiste como simples cidadãos, pelo qual não nos devemos cansar de lutar e ao qual não nos podemos esquivar a corresponder.

Podemos sentir ou não vocação para o desempenho de atitudes ou de cargos políticos, podemos aceitar ou não as condições em que estamos, concordar ou não com a forma como a intervenção nos é facultada, mas não temos o direito de nos demitirmos da dimensão política, que, resultante da nossa liberdade e da nossa inteligência, é essencial à condição de homens.
[...]"

Intervenham!
.

7.9.10

O monstro continua imparável

"Enquanto a despesa caiu 14% na Grécia, 2,9% na Irlanda e 2,5% em Espanha, em Portugal subiu 4%. Quando é que se controla o monstro?" (aqui)

Isto é uma vergonha, um escândalo, uma afronta a todos os contribuintes. Pedir para pagar SCUTs, reduzir as deduções de IRS, aumentar o IVA, aumentar os escalões IRS, etc, etc, etc, sem reduzir (meio por cento que seja!!) a despesa pública, é um insulto a todos os Portugueses.

6.9.10

Vital Mentideira

Diz Vital Moreira (aqui) que cobrar portagens nas SCUT é “terminar com uma iniquidade, pondo os beneficiários dessas infra-estrutras a pagar a vantagem privativa que tiram delas, assim dispensando os contribuintes em geral (incluindo os que não as usam) de ter de o fazer com os seus impostos.

Dispensando? Mas os contribuintes em geral vão pagar menos impostos a partir do momento em que os contribuintes que circulam nas SCUT passem a pagar portagens? Vital Moreira está a gozar com a nossa cara?!?!

Isto só seria verdade num de dois cenários: se os impostos para os contribuintes em geral baixassem no mesmo montante das portagens cobradas; ou se o portajar das SCUT se inserisse num esforço sério de equilíbrio das contas públicas, que incluísse nomeadamente uma fortíssima redução da despesa do Estado (veja-se o exemplo britânico aqui).

É inadmissível que o Governo seja absolutamente incapaz de reduzir a despesa (ver aqui ou aqui, por ex.), nomeadamente a despesa que não é de investimento. Só que, como já disse antes, é necessário manter o controlo da sociedade e isso custa dinheiro. Portanto, o contribuinte que pague ainda mais.

Qualquer dia torno-me revolucionário. Revolucionário anti-socialista, claro.
.

22.8.10

Totalitário

Com Sócrates, o poder central tem de dominar o país, o PS tem de dominar o poder central e ele próprio tem de dominar o PS - num crescendo de mediocridade assustador.
Nada importante se passa fora deste esquema e quem tem veleidades é rapidamente atacado. BCP, Público, TVI, Metro do Porto, parques nacionais, etc., etc., etc. Estou convencido que o veto à venda da Vivo teve menos que ver com o interesse nacional e mais com o facto da Telefónica não ter consultado o Governo (que desplante!).
.
Tudo isto mata o resto do país, que se abafa em Lisboa, cidade cada vez com pior qualidade de vida.
.
Tudo isto cria hábitos de ineficiência no sector público.
.
Tudo isto cria hábitos de pedinchismo no sector privado, habituado aos negócios sem risco providenciados pelos amigos no poder. Não me esqueço do Manuel Godinho a dizer numa das escutas: "ó pá, isto [a sua situação financeira] está complicado, não se arranja aí nada para mim?".
.
Tudo isto implica ir distribuindo as migalhas pelas empresas e pelas instituições, para as manter contentes.
.
Portanto, a despesa pública nunca irá descer.

Logo, sobem os impostos ou, o que dá no mesmo, a carga fiscal - mas não tem mal, está tudo controlado. Literalmente.
.
Nota: template temporário para condizer com o post.

12.4.10

Fraude

Estava a regressar do Congresso do PSD. Liguei a Antena 1 à hora certa. A notícia sobre o Congresso do PSD é apenas a 3ª notícia. Primeiro uma notícia sobre o empréstimo à Grécia. Bem, esta ainda aceito. Mas a segunda notícia é o anúncio pelo PCP que não irá apoiar Alegre nem Nobre, mas apresentar um candidato próprio às próximas presidenciais. Realmente, uma grande novidade!! E em 3º lugar, lá vem o Congresso do PSD...

E como abre a notícia sobre o Congresso? Com o resumo das principais propostas de Passos Coelho? Com algum trecho do excelente discurso de Passos Coelho? Claro que não.

Abre com a resposta do PS ao discurso do novo líder!
A táctica é cada vez mais frequente:
1º) Locutor diz algo do género: "o PS acha que a proposta do PSD é...";
2º) Ouve-se o dirigente do PS a criticar;
3º) Ouve-se a proposta do PSD;
4º) Ouve-se um comentário final do locutor, referindo a proposta en passant e recordando mais uma vez a crítica do PS.

Ou seja, uma notícia sobre uma proposta do PSD começa e acaba com a crítica do PS à proposta!
Não sei se ria, não sei se chore...

16.3.10

Porque voto PPC - A chave é o Futuro

A chave da Política é o futuro.
É o futuro, em dois planos distintos, ambos essenciais e interdependentes:

1º O plano da preparação do futuro
É fundamental em Política saber preparar o futuro. Ganha na política de forma sustentada e duradoura quem sabe interpretar o passado, quem sabe identificar as causas dos problemas, quem sabe reunir as melhores equipas para os enfrentar, quem sabe estudar as melhores soluções. Quem sabe, ponto final.
Para isso é preciso trabalho, rigor, seriedade. Manuela Ferreira Leite pontuou alto nesta exigência. Quantos hoje não dizem (a começar pela própria...) que teve sempre razão ao longo de todo este tempo? Sim, ela diagnosticou bem os problemas, preparou as soluções, teve razão.

2º O plano da condução para o futuro
Não basta ter razão, é preciso convencer constantemente a sociedade a seguir-nos para esse futuro que preparámos e que procuramos implementar. Podemos ter más notícias sobre o futuro, podemos ter um adversário que apresenta miragens, podemos ter tudo contra nós.
A verdade é que um verdadeiro líder só precisa de o ser na adversidade, na dificuldade. Para gerir a facilidade, meio líder basta.
Líder que é líder, é-o cabalmente nos momentos difíceis. Para claudicar nos momentos-chave, qualquer um chega.
Para se ser líder, há que mobilizar a sociedade, demonstrar-lhe (sim, demonstrar-lhe) a mais-valia do nosso projecto, convencer a aderir. Convencer.

Já sei o que dirão alguns: estou a apelar ao populismo, a um discurso fácil que renda votos.

Nada disso. Como disse no início, ambos são essenciais. Nada substitui uma boa preparação, uma boa equipa, um projecto válido. Nada dispensa o rigor, a qualidade e o trabalho árduo.

Mas como disse também no início, são interdependentes. Ter razão sem dela convencer os eleitores, é desperdiçar a razão.

O caminho portanto é este: ter uma excelente preparação para assumir a governação do país e apresentá-la de forma séria - mas também convincente.

Só Pedro Passos Coelho domina ambos os planos.

Dos 3 candidatos, é o melhor preparado (veja-se a parte do debate com Rangel sobre as questões económicas; foi tão evidente a sua superior preparação que foi aí que muitos rangelistas procuraram outra alternativas, que foi aí que se começou a falar da possibilidade de Marcelo Rebelo de Sousa aparecer como salvador do partido em congresso).
Para além do longo passado político, para além da fundação do movimento "Pensar Portugal" há mais de uma década, há um trabalho específico e recente (nos últimos 3 anos) de preparação intensa para assumir o país. Há 3 anos que reúne especialistas, que organiza debates, que sintetiza opiniões, que forma as suas ideias. Deixo para os profundamente ignorantes a crítica de que não tem ideias ou de que "é só imagem".
Igualmente importante, não esconde as medidas difíceis que entende necessárias. Veja-se o seu livro "Mudar", que tantos criticam sem terem lido, ou a posição corajosa sobre a Lei das Finanças Regionais: em ambos os casos podia deixar-se ficar pelas palavras vagas ("libertar o futuro", por exemplo), mas optou pela defesa de medidas concretas, mesmo que difíceis e/ou impopulares. Quem mais o fez?

Dos 3 candidatos, é o que mais convence o país. Já vi várias sondagens que o demonstram, não vi nenhuma em sentido contrário.

Dos 3 candidatos - e isto é que é o fundamental - é o único que vence nos dois planos. Preparar o futuro, conduzir ao futuro.

Dos 3 candidatos, confio que será o vencedor.
.

6.3.10

Intervenção na Assembleia Municipal do Porto

Excerto da Moção apresentada na Assembleia Municipal do Porto sobre a atribuição do Prémio Pessoa 2009 a D. Manuel Clemente, Bispo do Porto:

"Quem partilha dessas preocupações humanistas, partilhando ou não da sua ancoragem transcendental, não pode deixar de reconhecer em D. Manuel Clemente um exemplo inspirador da salvaguarda da dignidade do outro, porque para essa dignidade contribuem sobremaneira o diálogo, a tolerância e o combate à exclusão social."

Ler o resto aqui.

.

4.1.10

Recovered from translation

Tradução do discurso de Ano Novo do Presidente da República:

"E disse também que Portugal gastava em cada ano muito mais do que aquilo que produzia."

Já venho avisando há muito tempo para o problema do défice orçamental, mas este Governo, em particular, parece não ligar nada ao assunto.

"Falo aos Portugueses quando entendo que o interesse do País o justifica e faço-o sempre com um imperativo: nunca vender ilusões nem esconder a realidade do País."

O Governo vende ilusões (a maior central fotovoltaica, a primeira central de energia das ondas do mar, as medidas governamentais que melhor ajudaram a Economia, o país na Europa que primeiro saiu da crise, etc etc etc), eu falo da realidade.

"Em nome da verdade, tenho a obrigação de alertar os Portugueses para a situação difícil em que o País se encontra e para os desafios que colectivamente enfrentamos."

Não julguem que a Manuela Ferreira Leite não tinha razão com esta história da verdade...


E agora let's talk politics:

"Ao longo do último ano, o desemprego subiu acentuadamente, atingindo, no terceiro trimestre, 548 mil pessoas. Quase 20% dos jovens estavam desempregados."

"A dívida do Estado tem vindo a crescer a ritmo acentuado e aproxima-se de um nível perigoso.

O endividamento do País ao estrangeiro tem vindo a aumentar de forma muito rápida, atingindo já níveis preocupantes.

Acresce que o tempo das taxas de juro baixas não demorará muito a chegar ao fim.

Se o desequilíbrio das nossas contas externas continuar ao ritmo dos últimos anos, o nosso futuro, o futuro dos nossos filhos, ficará seriamente hipotecado.

Quando gastamos mais do que produzimos, há sempre um momento em que alguém tem de pagar a factura."


E agora especialmente para si, Sr. Primeiro-Ministro:

"O exemplo deve vir de cima."

Caramba, até a mim me doeu! E foi na mouche, claro.

"O País real, que quer trabalhar, que quer uma vida melhor, espera que os agentes políticos deixem de lado as querelas artificiais, que em nada resolvem os verdadeiros problemas das pessoas.

É tempo de nos concentrarmos naquilo que é essencial, com destaque para o combate ao desemprego.

Não é tempo de inventarmos desculpas para deixarmos de fazer o que deve ser feito.Estamos perante uma das encruzilhadas mais decisivas da nossa história recente. É por isso que, em consciência, não posso ficar calado."

Perceberam ou querem que faça um desenho?

"Em face da gravidade da situação, é preciso fazer escolhas, temos de estabelecer com clareza as nossas prioridades. Os dinheiros públicos não chegam para tudo e não nos podemos dar ao luxo de os desperdiçar."

Esta é para quem acha que basta aumentar a despesa pública para haver crescimento económico ("o Keynes, pá, nunca ouviste falar do Keynes?")

"Recordo o que tenho vindo insistentemente a defender. Nas circunstâncias actuais, considero que o caminho do nosso futuro tem de assentar em duas prioridades fundamentais.

Por um lado, o reforço da competitividade externa das nossas empresas e o aumento da produção de bens e serviços que concorrem com a produção estrangeira."

Chama-se a isto estar a milhas de distância do novo aeroporto, TGV, apostas artificiais em sectores da economia "inovadores" que não têm seguimento no mercado, Magalhães, ...

"Por outro lado, o apoio social aos mais vulneráveis e desprotegidos e às vítimas da crise.

Percebeste como se faz um discurso político de oposição, Manuela?
.

8.6.09

Além fronteiras...

Alemanha: fico satisfeito com a resultado da CDU/CSU e, mais ainda, com a recuperação do FDP - sem dúvida um dos partidos com que mais me identifico ("um Estado tão pequeno quanto possível, tão grande quanto necessário").

Na Bélgica, continua a confusão: nenhum partido acima dos 25%!

Em Espanha como em Portugal, os socialistas terminaram em campanha suja e foram penalizados.

No Reino Unido, ainda só há resultados em 4 dos 12 círculos. Os resultado já conhecidos indicam vitória estrondosa dos Tories.
British National Party elege um eurodeputado pela primeira vez e UK Independence Party tem já 4 eleitos (!!!), tantos quantos Labour.
Labour está em 3º, mas ultrapassado pelo UKIP e não pelos LibDems, que não descolam.
Dará para Brown se aguentar?

Na totalidade da Europa, o PPE teve praticamente o mesmo resultado, mantendo-se claramente como o partido mais votado.
PSE baixa de 27 para 21%.
Partidos extremistas crescem à Esquerda e à Direita, provável reflexo dos efeitos da crise económica, sempre um terreno fértil para o protesto e a revolta.

7.6.09

Campanha negra, campanha enlameada

Tem toda a razão!

One way ticket

Este resultado eleitoral só dá um caminho possível a Manuela Ferreira Leite: ganhar as Legislativas. Tudo o resto deixou de ser aceitável.

Ai o investimento estrangeiro...

Extrema-Esquerda soma 20%. Nesse aspecto, Portugal recua quase 30 anos.
Será que os seus eleitores sabem realmente o que defendem?
É ler o programa do Bloco e ver um 11 de Março disfarçado de "propriedade social e cooperativa".

4.6.09

Há campanhas e campanhas...

Sondagem dá vitória ao PSD nas europeias

Se as eleições europeias fossem hoje o PSD venceria o escrutínio, ainda que a sondagem da Marktest para a TSF e “Diário Económico” aponte para uma situação de empate técnico. Pela primeira vez os social-democratas têm uma vantagem, conquistando 32,5 por cento dos votos, contra os 29,4 do PS.
A apenas dois dias no fim da campanha eleitoral, a sondagem confirma a tendência de crescimento do candidato social-democrata, Paulo Rangel, ao invés do cabeça-de-lista socialista, Vital Moreira, que tem vindo a perder votos nestes inquéritos desde que começaram as acções de rua.
Em terceiro lugar surgem também empatados com 8,9 por cento das intenções de voto Ilda Figueiredo (CDU) e Miguel Portas (BE), sendo que ambos subiram quase dois por cento. A última força política é o CDS-PP que caiu mais de um ponto, para os 3,3 por cento.