15.2.06

MST premiado

O livro "Equador", de Miguel Sousa Tavares, conquistou em Itália o prémio literário Grinzane Cavour 2006. O prémio é considerado um dos quatro mais importantes em Itália e o mais prestigiado para a literatura estrangeira publicada no país.A escolha dos vencedores é decidida por um duplo sistema: a selecção feita pelos críticos (escritores, jornalistas culturais e críticos literários) e o voto popular, constituído por leitores entre os estudantes de italiano de várias instituições nacionais e estrangeiras (Berlim, Bruxelas, Paris, Moscovo, Praga, Estocolmo, Tóquio, Cairo, Buenos Aires e Salamanca).
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Há uns tempos perguntaram a MST numa entrevista como tinha sido a reacção dos críticos literários à incursão do jornalista pela ficção. Ele sorriu e disse que se definia como contador de histórias (salvo erro), para não incomodar ninguém com uma auto-definição como escritor... E notou que nunca tinha sido convidado para os 3 ou 4 programas televisivos de literatura existentes. Será que agora, com o “reconhecimento internacional”, o vão convidar? Seria interessante. E revelador.

13 comentários:

Ricardo disse...

Viva,

Ainda não li o Equador mas conheço vários amigos que já leram e gostaram bastante. Quanto aos convites para programas literários devo dizer que não é uma questão importante. Para já porque duvido que ajude a vender livros em grande quantidade e depois com certeza que MST não está preocupado se entra para o clube exclusivo dos escritores do burgo.

Abraço,

O Micróbio disse...

A ver vamos! :-)

Fernando Bravo disse...

ricardo, a questão é se os nossos críticos desconfiam do sucesso interno mas aplaudem o sucesso internacional. Como disse o...

...micróbio, a ver vamos.

Abraços!

i disse...

O único livro que li do MST até hj foi o 'Planeta Branco'.
Diz a editora que "para todas as crianças que gostam de ler e para todos os pais e professores que ensinam as crianças a gostar de ler, esta é uma história que aborda não apenas as grandes questões da actualidade, como a poluição atmosférica, a destruição das florestas ou as alterações do clima, mas que constitui, também, um hino à vida e à bondade."
O que eu digo é que discordo por completo!
Não me parece ser uma história para crianças, muito menos escrita a pensar nelas, e cujos temas são de facto imperativos nos dias que correm, mas expostos de uma forma complexa e talvez 'conflituosa' demais no que diz respeito às emoções.
Esta é, apenas e só, a minha opinião, de 'tripeira nata'!
Bjos,

pedro oliveira disse...

Miguel Sousa Tavares não é historiador, é escritor no sentido que todos os seres alfabetizados o são.
É filho de pais famosos (recorda-nos o actual anúncio do Banco Espírito Santo) e aproveitou esse facto para se tornar conhecido.
Deve ser dos poucos escritores de ficção que efectuou alterações radicais em datas e contextos para tentar colmatar muitas das incoerências históricas que a primeira versão do "Equador" possuía, enfim, escreve para a mesma editora que a Margarida Rebelo Pinto.

Fernando Bravo disse...

i, não conheço esse "Planeta Branco". Vou ver se compro e depois faço a crítica.

pedro oliveira, há aqui algumas confusões que convém sistematizar:
1. Não li o Equador (devo ser o único português minimamente literato que não o leu, mas enfim);
2. Não disse que MST era historiador nem me parece que ele próprio se considere como tal;
3. Não concordo nada com a frase "É filho de pais famosos e aproveitou esse facto para ser conhecido"; o facto de ser filho de pais famosos pode ter-lhe dado oportunidades, mas a verdade é que ele agarrou-as - e agarrou-as por ser competente como jornalista e pertinente como colunista;
4. A editora é completamente irrelevante;
5. "Deve ser dos poucos escritores de ficção que efectuou alterações radicais em datas e contextos para tentar colmatar muitas das incoerências históricas que a primeira versão do "Equador" possuía"; será?; e terá uma obra de ficção, ainda que de inspiração histórica, de seguir escrupulosamente uma cronologia?;
6. No meu post não quis fazer o elogio literário de "Equador" que, como disse, não li; quis apenas deixar no ar a possível existência de alguma alergia dos nossos críticos literários a quem chega à literatura vindo de outros campos supostamente menores (como o jornalismo) e/ou, eventualmente, a quem tem sucesso de vendas, bem como deixar no ar a possibilidade de tal alergia ser ultrapassada com o «reconhecimento internacional» - o que seria interessante e revelador.

Bjs e abraços!

JFS disse...

Li o Equador quando saíu e todos lá em casa gostaram. Estive em Libreville no ano passado e contactei com alguns São Tomenses, cuja conversa sobre a história do arqupélago me fez lembrar muitas partes do livro.
JFS

Ana disse...

Gostei imenso do "Equador". Mas efectivamente não sou crítica literária...
Depois de o ler coloquei S. Tomé na minha lista de viagens a curto prazo.

Fernando Bravo disse...

jfs, tenho que ler, é uma falha minha. Obrigado pela visita.

Fernando Bravo disse...

ana, efectivamente não és :D
Just kiding, bj

Fernando Bravo disse...

kidding, não kiding

Fernando Bravo disse...

Esqueci-me de dizer que não li o Equador mas li o Sul, que acho brilhante - para mim é o melhor livro de viagens dos últimos anos. Um dia tenho de escrever aqui sobre ele.

pedro oliveira disse...

Fernando, partilho a tua opinião sobre "Sul", é nisso que Miguel Sousa Tavares é bom, a contar histórias, a descrever ambientes.
A edição que possuo da Relógio d'Água começa com o poema "Deriva" de Sophia... "As ordens que lavava não cumpri/ E assim contando tudo quanto vi/ Não sei se tudo errei ou descobri".