13.1.06

Instintos fatais

“Apoio Mário Soares por uma razão simples. Se tivesse que resumir tudo a uma ideia, diria o seguinte: ele tem os instintos certos. Já todos discordámos de Soares em momentos concretos. Mas é por ter os instintos certos que, desde há mais de trinta anos, Mário Soares esteve sempre presente, nas questões essenciais, com uma intervenção decisiva; as opções fundamentais ninguém pode gabar-se de as ter compreendido tão bem.”

Ivan Nunes (membro da comissão política da candidatura de Mário Soares), Público, 10-01-2006
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É isto que o país precisa: de alguém que saiba decidir por instinto. Não nos interessa o sábio, o estudioso, o pensador, o ponderado, o preparado. Interessa-nos alguém em quem, nos momentos de maior dúvida nacional, possamos repousar a nossa confiança e dizer: eu confio, porque ele tem bons instintos! Assim como quem confia num astrólogo, digamos.
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Ler dossiers, que é lá isso? Ser competente, a que propósito? Usar de rigor, para quê? Este país construiu um Império baseado no aventureirismo e no desenrascanço. Instintos, portanto. Estabelecer depois uma administração estruturada, eficiente e competente, isso seriam outros quinhentos (literalmente). Que outros fizeram melhor que nós.
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Mas os bons instintos, esses ninguém nos tira. Vamos até reelegê-los a 22 de Janeiro. Aí voltarão os instintos. E o Palácio de Belém voltará a ser o imenso mentidero que foi de 1991 a 1996. É que é nesses ambientes que os bons instintos medram (uff, sem gralha!) e desestabilizam.
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Dia 22, toca a votar Soares! OU NÃO!!!

5 comentários:

Ricardo disse...

Viva,

Isto parece-me uma não polémica. Mesmo assim parece-me óbvio que o Presidente é o cargo político por natureza e, por isso, há muita subjectividade na leitura que faz do país e da vontade das pessoas.

Quanto ao rigor de certos candidatos os números económicos e financeiros podiam desmentir muitos mitos...

Abraço,

mixtu disse...

pois... eu tou tentado na poesia... mas...

Fernando Bravo disse...

ricardo, sim, é uma não polémica, serviu-me apenas de base para passar de forma leve e irónica alguns argumentos que, no entanto, me parecem bastante sérios.

mixtu, antes o poeta que o ressabiado. Mas, caramba, o que precisamos mesmo é do Cavaco!

Abraços!

Anónimo disse...

Se não ganha o Cavaco isto fica tudo escavacado.

Fernando Bravo disse...

anónimo, bem visto!