24.9.05

Um Rio

Fui à ante-estreia do filme português "Um Rio", de José Carlos de Oliveira. É culturalmente incorrecto dizer mal de uma fita deste rectângulo à beira-mar plantado. No mínimo, somos incultos. No máximo, incapazes de perceber um filme 'de autor' (seja lá o que isso for), acéfalos reduzidos à compreensão dos filmes óbvios de Hollywood.

Pois bem, fui de mente aberta. O tema prometia: racismo, misticismo, tensão, numa história de paixão entre uma portuguesa e um moçambicano.

De tensão, zero: o momento que deveria ser de maior frisson (encontro da portuguesa com a família do moçambicano) esfuma-se em poucos segundos e rápidas falas, sem se vislumbrar na face dos actores o que deveria ser um turbilhão de sentimentos de surpresa, revolta, confronto (à excepção da matriarca moçambicana, que se revela uma actriz de talento).

O misticismo perde-se na linearidade das sequências, sem lhe ser dado o devido relevo.

E o racismo percebe-se, mas não se sente verdadeiramente.

Em termos de actores, nota média para a actriz principal; baixa para o actor principal (?!), Abstinêncio (fantástico nome); alta para o actor com o papel de fotógrafo e a actriz já referida, com o papel de matriarca.

Salvou-se na noite a prévia ante-estreia de uma curta-metragem de um aluno da UBi, "Rupofobia". Simples, humorística, incisiva. Isto é, o oposto do que se seguiu.

4 comentários:

i disse...

Caro Fernando:
Permite-me felicitar-te não só pelo magnífico trabalho que tens vindo a desenvolver no teu blog, como também pela capacidade de análise sintética desta magnífica 'amostra' do cinema português. Não conseguiria ser mais explícita e estou completamente de acordo. No entanto, mesmo indo de "mente aberta", seria suposto sentirmos algum tipo de surpresa ou indignação?
Mais vale um pouco de resignação, manter na memória o tempo dos bons filmes portugueses e, (qui çà) esperar que no futuro os realizadores e produtores destas (boas) curtas se decidam a passar para as longas!

Fernando Bravo disse...

i, obrigado pelos elogios, tive que limpar a baba do teclado... Quanto à resignação, realmente parece-me o melhor. Se fosse realizador ou produtor, tentava mudar alguma coisa. Assim, limito-me a esperar melhores dias.

Bjinhos (acertei?)

i disse...

Claro!!! ;o)
Bjos,

Anónimo disse...

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