24.9.05

António Lobo Antunes

A não perder a edição (para breve) de cartas de António Lobo Antunes à sua mulher, quando estava ao serviço do exército português na guerra colonial. Provavelmente será uma óptima ajuda para melhor perceber a presença recorrente dessa guerra na sua obra.

Lobo Antunes é um dos escritores da minha adolescência e pós-adolescência, tanto nas obras de ficção como nas crónicas. Sempre teve uma visão ácida da nossa sociedade. Mas enquanto nas primeiras obras essa acidez se transformava em sarcasmo iconoclasta (imperdível a crónica sobre os portugueses da era cavaquista a descobrirem a maravilha dos passeios dominicais, em fato-de-treino verde e roxo, pelos shoppings que abriam como cogumelos), a partir dos anos 90 foi-se tornando numa acidez mais amargurada, sem esperança, deprimente. Para mim, começou a entrar nessa estrada após "A Ordem Natural das Coisas".

A ver vamos se volto a descobrir o prazer de o ler que tinha há uns anos.

5 comentários:

Freddy disse...

Mas o gajo bate um bocado mal daquela cachimónia...

Abraço da Zona Franca

Anónimo disse...

Para dirigente do PSD o Fernando Bravo é um bocado ignorante. O Lobo Antunes ´mandatário não é o António escritor, mas o João cirurgião.

Alter Ego

Fernando Bravo disse...

Caro anónimo, onde é que eu disse que o António Lobo Antunes é mandatário do que quer que seja?! Nem sequer falei no assunto! O meu post é sobre a obra do escritor António Lobo Antunes, não tem nada a ver com política nem com João Lobo Antunes.

Se calhar sou ignorante, mas ao menos não tenho alucinações visuais e não leio coisas que não foram escritas...

Salve-se o elogio aos dirigentes do PSD: se "para dirigente do PSD" eu sou "um bocado ignorante", isso significa que considera que os dirigentes do meu partido não são ignorantes. Vá lá...

Fernando Bravo disse...

freddy, um bocado... Mas é um excelente escritor!

Momenti Nostri disse...

António Lobo Antunes...
Há algo que nos caracteriza, a nós, portugueses. Gostamos de nos rir quando a crítica é sobre os outros, mas, quando nos reconhecemos em certas personagens inquietantes, que habitam os livros de ALA... ala que se faz tarde! Colocamo-lo de lado e dizemos que se tornou amargo, ácido. Ou serão as interrogações que, quando o lemos, colocamos sobre o mundo e sobre nós que nos afectam? Nos seus livros, está lá tudo, estamos lá todos.
E o limão é ácido... experimentem colocar água de nascente no seu sumo... adoçá-lo e juntar um travo a canela.
ALA, tem mãos com odores a especiarias fortes.Eu amo-o.

Maria, adocicadaMENTE