11.9.08

Estou de volta (acho...)

Passou mais de um ano desde que deixei de escrever neste blog e quase um ano e meio desde que deixei de escrever assiduamente.

E a grande conclusão é... que ninguém sentiu falta, claro. Mas como daqui também não vem grande mal ao mundo, vou ver se volto a escrever qualquer coisa de vez em quando.

Abraço!

10.2.07

Concordo totalmente!

Retirado do Blasfémias:

Nesta campanha, nos vários debates em que estive, o "Não" repetiu sempre um argumento notável: deve ser negada a possibilidade de escolha das mulheres em fazer a IVG para dar lugar ao planeamento familiar e a políticas públicas de esclarecimento e aconselhamento familiar e sexual (como se ambas as coisas fossem incompatíveis em algum lugar com que nos gostamos de comparar…). E, normalmente, quase todos os circunstantes abanavam gravemente a cabeça, concordando.
E eu, sorrindo, recordava a batalha enorme que o Dr. Albino Aroso teve de travar há alguns anos para realizar em Portugal alguma coisa que se assemelhasse a "planeamento familiar".
«Pílulas?», diziam. Dar «preservativos à toa?», assustavam-se. E a «moral?», perguntavam. Isso vai destruir a «família», avisavam. «Educação sexual?», indignavam-se. Isso seria ensinar os nossos filhos a saberem «o que não devem fazer», sentenciavam.
E, agora, os mesmos, precisamente os mesmos, aqueles que andaram durante décadas a rugir contra os métodos contraceptivos e a educação sexual, chegam a este momento eleitoral ancorando quase toda a argumentação pública do "Não" naquilo que condenaram durante todo o tempo anterior. Agitam todo o acervo de razões que estigmatizam desde há décadas e que boicotaram sempre que lhes foi possível - «Ter um filho é um acto moral. Engravidar não pode ser um mero acidente», garantem alguns cheios de verdade na sua mão direita.Mas, enfim, a coerência e a realidade nunca foram óbice para os que se julgam os únicos defensores dos valores e dos princípios à face da terra e dos céus...

9.2.07

Porque voto SIM no referendo

No cerne da questão não estão os impostos, o Serviço Nacional de Saúde, a propriedade da barriga das mulheres ou a modernidade, argumentos que radicais de um lado e outro têm aduzido mais vezes que as que o meu estômago tolera.
No cerne da questão está isto: a vida humana. Não a vida, mas a vida humana.
Para os defensores do NÃO, a vida humana começa no momento da fusão do espermatozóide com o óvulo. Aí está a vida humana. Pelo menos em potência.
Ao contrário do que os radicais do SIM querem fazer crer, esta é uma posição respeitável. A sua convicção é forte e compreensível, por isso deve ser respeitada. E eu respeito, mas não concordo.
Uma vida é humana não apenas por ser vida, mas por ser... humana (passe a redundância). Sobretudo por ser humana.
O que define essa humanidade não é a biologia, mas a rede de afectos. A nossa humanidade não resulta de um cérebro a funcionar, de um fígado eficaz, de um músculo activo.
A nossa humanidade resulta das nossas relações: com a mãe e o pai, com os irmãos, com a família, com os amigos, até com os inimigos.
A nossa humanidade resulta desta rede de relações que nos torna seres em comunidade, parte integrante de redes e sub-redes e sub-sub-redes de relacionamentos com o outro, com os outros. Redes de afectos, de sentimentos, de emoções, de amores, de ódios e de tudo o mais que nos torna humanos.
E portanto eu pergunto: que vida humana é esta que tem de ser vida a qualquer preço, mesmo que à custa da parte humana?
Que vida é esta que, tantas vezes, queremos condenar à pobreza extrema, ao desinteresse dos pais, à infância miserável, à família desestruturada, ao abuso constante, à violência, ao presente sem luz, ao futuro sem esperança?
Que vida é esta que queremos condenar à dificuldade e ao sofrimento?
Que vida humana é esta que queremos condenar à desumanidade?
E porque queremos condenar a mulher que, face a estas perspectivas, opta por não querer continuar a gravidez porque sabe que não pode assegurar essa humanidade básica?

Perante uma situação concreta, duvido que recomendasse a alguém fazer uma IVG. Mas não me sinto na posição moral de condenar uma mulher que decide não continuar uma gravidez por achar que, por algum motivo, não consegue assegurar toda essa humanidade a essa vida.

Por isso voto SIM.
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8.2.07

Reflexão

Nunca um mudo deu aulas de dicção nem um cego aulas de condução.

Só os padres não prescindem de dar conselhos sobre a reprodução e a sexualidade!

26.1.07

Freiras acusadas de maus-tratos

O mundo ao contrário. Se for verdade, claro. E se não for, ainda mais.

Federer 2007



01:48 - onde qualquer comum mortal se daria por contente por simplesmente passar a bola para o outro lado da rede, um "encosto" com peso e medida calculados por computador da NASA. 00:31 - a perfeição. No final, 6-4, 6-0, 6-2. Só falta mesmo Roland Garros.

17.1.07

Hellooooo!!! Dah!!!


Fui visitar pessoa amiga internada no Hospital de Santo António, prestes a ser operada. Tinha lá estado a Liga dos Amigos do Hospital de Santo António, duas senhoras muito simpáticas que deixaram uma revista. Qual? A Nova Gente. Ah que simpáticas e tal e coisa. Até que pus os olhos na capa da revista, que podem ver à vossa esquerda: "Jorge Gabriel ÀS PORTAS DA MORTE" e "A mulher conta as HORAS DRAMÁTICAS em que a vida esteve mesmo por um fio!!" (assim, com maiúsculas e tudo).
Minhas senhoras, sois de uma simpatia e filantropia inexcedíveis. Mas vêde o que trazeis, sim?

30.12.06

www.hi2party.com


Que acham? Vou de smoking à James Bond ou não? lol
(um Ano Novo "em grande" para todos!!!!)

20.12.06

Hoje vi um Pai Natal portuga...

... e lembrei-me do que escrevi há um ano.

Escritas com a Foz por fundo

António Rebordão Navarro, Fátima Pombo, Pedro Baptista
em lembrança de Maria Virgínia
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"Sem deixar o ano encerrar, numa homenagem à literatura, uma conversa entre três escritores que fizeram da Foz cenário dos seus livros e nela vivem.
A falar três gerações, três momentos, três maneiras de se pôr em papel, com as quais se desvenda uma escrita aqui tão perto, tão deles e tão nossa.
À Maria Virgínia Rebordão Navarro, amiga e jovial personagem deste grande romance que vivemos, que lemos, porque há histórias que não acabam nunca. Pessoas que não morrem." [do convite]
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30 de Dezembro, às 18 horas, no pub Bonaparte
(Av. Brasil, Porto)

13.12.06

Desocupado leitor:


Quando era miúdo, havia uns desenhos animados espanhóis sobre o D. Quixote. Nesse tempo de duopólio RTP 1 e RTP 2 - quando Cartoon Networks, Pandas, Nickelodeons e afins eram uma miragem ainda lá longe -, em se tratando de desenhos animados, aqui o vosso amigo não perdia. Mesmo sendo uns desenhos animados fraquinhos, sem grande qualidade, vindos do lado de lá da fronteira, como era o caso destes.
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Com esses desenhos animados, fiquei a conhecer o Quixote. E durante muitos anos, o "meu" Quixote era o dessa série. Ou, pelo menos, o dessa série tal como então o vi e tal como o fui desde aí recordando ao longo dos anos. E era bem simples: um velho meio louco, vítima de alucinações frequentes que o metiam em toda a espécie de sarilhos - a ele e ao seu fiel escudeiro, Sancho de seu nome, Pança de sua alcunha e inocente de seu carácter, digo eu (lol).
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Mais tarde, começo a ouvir cada vez mais elogios à famosa obra de Cervantes. O primeiro romance moderno, uma obra que resistia à passagem do tempo, uma obra-prima, etc., etc., etc. Bem, confesso que fiquei curioso e lá ganhei coragem para comprar o livro. Ou melhor, a coragem foi precisa para começar a lê-lo, que são 800 páginas!!
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Ainda não acabei (nem sei se será tão cedo, porque tenho a mania de intercalar livros), mas desde já digo que sem dúvida vale a pena!
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Alguns elogios são exagerados. Para mim não é, claramente, o romance (ou obra de ficção, se preferirem) mais notável de sempre. Mas é uma obra riquíssima, que vai muito para além da narração das desventuras de um velho senil. Mas mesmo muito. O que, claro, mudou completamente a minha forma de ver D. Quixote. Nada como ir directamente à fonte!
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(a continuar)