28.2.06

Early Morning Blogs 1


O meu amigo Xikote ajudou a organizar mais uma festa com boa música dos anos 80 e 90, com direito a projecção de imagens míticas da minha infância e adolescência: McGyver, Knight Rider, Mr. T, Atari 16K (!), golo do Maradona contra a Inglaterra no Mundial'86 e, claro, o golo do Madjer em Viena (yes!).
Depois de uma memorável passagem de ano que milagrosamente foi tolerada pelos vizinhos até os galos cantarem (não na festa, claro, mas lá onde eles cantam), foi a vez de uma festa que me levou pela primeira vez a entrar no Teatro Sá da Bandeira (estranho ver uma plateia sem cadeiras, mas o contraste disco/teatro antigo resultou). E desta vez sem escadas, embora as rampas fossem perigosamente inclinadas (private joke).
Antes já tinha feito uma paragem para abastecimento num multibanco, onde me apareceu uma bruxa simpática (pronto, R., muito simpática), que mais para o fim da noite me obrigou a ir ao Pop (eu não queria nada, claro) que como sempre estava em grande, num Carnaval com tema greco-romano.
Xikote, fico à espera de uma festa de Verão. Ou melhor, de Primavera, que é mais cedo ;)

27.2.06

Hamas democrático

Há uns tempos (sobretudo na parte III do post O Grande Problema de hoje) defendi que, por paradoxal que pudesse parecer, a vitória do Hamas poderia ser uma grande vitória da Democracia sobre o terrorismo. E isso devido à realpolitik das pressões internas e externas para a institucionalização e moderação do movimento.
.
Internamente, os palestinianos puniram nas eleições a Fatah, a sua corrupção, a sua incapacidade para resolver os problemas. Em consequência, esperam do Hamas, que sempre se assumiu como moralmente superior, a melhoria da Administração Pública, o desenvolvimento, a liberdade, a segurança, o orgulho e a dignidade. Não é pouco!
.
Por isso precisa de todo o apoio que conseguir. Financeiro mas também político, muçulmano mas também "infiel". Ora externamente as pressões norte-americanas e europeias têm sido no sentido do Hamas aceitar as regras do jogo democrático (estas foram as primeiras eleições em que participou, salvo erro), moderar as suas posições, repensar a aceitação do direito à existência de Israel. Numa palavra, democratizar-se.
.
A verdade é que a evolução tem sido nesse sentido:
.
«O designado primeiro-ministro palestiniano, Ismail Haniya, afirmou numa entrevista ontem publicada pelo diário norte-americano Washington Post que o Hamas considera uma "paz em estádios" caso Israel retire para as fronteiras de 1967. Esta paz em estádios, explicou, seria uma "trégua de longo termo", já antes prometida pelo líder espiritual do movimento, o xeque Ahmed Yassin. Quando questionado pela jornalista do Post e da Newsweek sobre se esta paz significaria a eliminação do povo judeu, Hanyia respondeu: "Não queremos atirá-los para o mar. Queremos a nossa terra de volta".
[...] Ainda ontem, os Estados Unidos afirmaram que não vão cortar na ajuda humanitária aos palestinianos.A promessa foi feita pelo responsável do Departamento de Estado David Welch, num encontro com o presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas. Os Estados Unidos "são há muito um apoiante do povo palestiniano (...) e continuarão a apoiar o povo palestiniano nas suas necessidades humanitárias", garantiu Welch. Abbas aproveitou, por seu lado, para apelar à comunidade internacional para que não isole o Hamas, elogiando o escolhido pelo movimento para o cargo de primeiro-ministro, um pessoa "flexível e diplomática". "Eles vão ouvir muitas coisas que os farão pensar na sua posição política".
In Público, 27.02.2006
.
Obviamente que tal não será fácil. O Ocidente tem de gerir um equilíbrio delicado entre firmeza convicta e flexilidade inteligente. Mas parece-me que isso tem sido conseguido (excluo o nosso Governo infra-chamberlainiano, a que já me referi na parte IV do tal post) . E se for um êxito, será um enorme êxito.

26.2.06

Miséria nacional... intelectual!

Ou pelo menos miserabilismo. Vasco Pulido Valente meteu-se a falar de futebol. Com o seu habitual pessimismo que de tudo diz mal, notou que a maioria dos jogadores da selecção nacional dava os toques na bola em país estrangeiro e considerou-o um «retrato da miséria nacional».

Mas por acaso isso verifica-se apenas em Portugal? Então a França, a Alemanha, a Holanda ou a Suécia, que têm os jogadores das suas selecções igualmente espalhados por ligas estrangeiras, têm uma miséria nacional semelhante à que vpv tão sistematicamente denuncia como nossa? Ou será que não estamos tão mal quanto vpv vocifera? Ou, mais simplesmente, será que vpv foi acometido do "Síndrome-de-Dirigente-do-Bloco-de-Esquerda" e lhe deu para falar de tudo, incluindo do que claramente não sabe?

23.2.06

Pardon?

A propósito de meter expressões estrangeiras nas minhas frases, lembrei-me que o meu pai não tinha tanta queda para as línguas. No inglês safava-se bem, mas o espanhol transformava-se em portunhol - mas também sem o portunhol nem parece que somos independentes - e o francês... bem, o francês... enfim, avaliem vocês mesmos.
.
Uma vez ele queria dizer "agora não, eu vou depois" em francês e saiu-lhe o seguinte: "alors non, je vais depuis". O som é parecido ao português mas infelizmente significa "nesse caso não, eu vou desde"... Imaginem a cara do franciú a perguntar: pardon? E o meu pai a repetir, convicto: "alors non, je vais depuis!"
.
Mas no que toca a traduções, nada como aquela cena do filme dos Goonies: empregada mexicana nova e a dona de casa pede ao Mouth para traduzir.
- Aqui os lençóis, ali toalhas, ...
E ele, tranquilo:
- Aquí la cocaína, allí la heroína... jamás mesclar, porqué si no!
E a empregada, em pânico:
- Es una casa de locos!
.
E pronto, esta expressão ficou. Sempre que havia alguma confusão em casa, eu ou um dos meus irmãos dizia logo: Es una casa de locos! O facto do culpado ser provavelmente um de nós era um mero pormenor...

19.2.06

Nas últimas imagens...

... do último episódio de Seinfeld puseram esta música de fundo. I hope you had the time of your life. Se eles não tiveram a fazer, tivemos nós a ver. TV time, of course.

A minha avó e João Carlos Espada

Sábado, fim da tarde: a minha avó, a um mês de fazer 90 anos, a ler a crónica do João Carlos Espada no Expresso. Ah, grande avó!
Nota aos meus amigos de Esquerda: não, não fui eu que a obriguei.

16.2.06

Tripeiro nato

Fui fazer um teste de tripeirismo e o resultado foi este:
.
Tripeiro nato
Você é um homem/mulher do Norte! Não há nada que lhe escape: que ninguém pense em abordá-lo com falinhas mansas sem um cimbalino e uma francesinha na mão! Para si, tudo o que não esteja num raio de cinco quilómetros a volta da Torre dos Clérigos é paisagem. Aprovado com distinção neste teste de Portualidade já pode ir contando com um convite para ser o rei/rainha da noite de S. João.
.
O mais engraçado é que o teste obriga a saber as expressões correspondentes no dialecto alfacinha. Por exemplo, para além de saber o que é um cimbalino ou um lanche, é preciso saber o que é uma bica ou uma merendinha para acertar nas perguntas. Portanto não é só um teste de portualidade ou tripeirismo, é também de alfacinhismo (acho que acabei de inventar uma palavra) ou de ambos combinados. O que me valeu foi que eu já tive a minha dose de Lisboa (cidade de que gosto, diga-se). Uma vez pedi um Napoleão numa confeitaria (perdão, pastelaria) e a senhora ficou a olhar para mim. Depois apontei para o bolo e ela chamou-lhe outra coisa qualquer que já me esqueci. E quando descobri que em Lisboa não sabiam o que era um trengo? Isso é que foi: "Eh, pá, parabéns, hoje tás.. bem... totalmente trenga!" (com o meu melhor sorriso).

Quem será a mãe?

"O Prof. Galopim de Carvalho, também chamado pai dos dinossauros, [...]".
Ouvido na TSF, 15.02.2006

15.2.06

MST premiado

O livro "Equador", de Miguel Sousa Tavares, conquistou em Itália o prémio literário Grinzane Cavour 2006. O prémio é considerado um dos quatro mais importantes em Itália e o mais prestigiado para a literatura estrangeira publicada no país.A escolha dos vencedores é decidida por um duplo sistema: a selecção feita pelos críticos (escritores, jornalistas culturais e críticos literários) e o voto popular, constituído por leitores entre os estudantes de italiano de várias instituições nacionais e estrangeiras (Berlim, Bruxelas, Paris, Moscovo, Praga, Estocolmo, Tóquio, Cairo, Buenos Aires e Salamanca).
.
Há uns tempos perguntaram a MST numa entrevista como tinha sido a reacção dos críticos literários à incursão do jornalista pela ficção. Ele sorriu e disse que se definia como contador de histórias (salvo erro), para não incomodar ninguém com uma auto-definição como escritor... E notou que nunca tinha sido convidado para os 3 ou 4 programas televisivos de literatura existentes. Será que agora, com o “reconhecimento internacional”, o vão convidar? Seria interessante. E revelador.

T-shirts

«O ministro das Reformas do Governo italiano, Roberto Calderoli, mandou fazer "t-shirts" com reproduções das polémicas caricaturas sobre Maomé publicadas por alguns jornais europeus.

"Mandei confeccionar 't-shirts' com as caricaturas contestadas pelo Islão e vou usá-las a partir de hoje", afirmou Calderoli em declarações à agência noticiosa italiana Ansa.O governante faz parte da Liga do Norte, partido que integra a coligação governamental do Executivo presidido por Silvio Berlusconi e que é conhecido pelas suas tomadas de posição xenófobas. "Estou pronto para oferecê-las a quem as pedir", acrescentou Calderoli, recusando que o seu gesto possa ser entendido como uma provocação.
.
"É preciso acabar com esta fábula de que é necessário dialogar com estas pessoas. Querem humilhar-nos. É tudo", afirmou o governante. [...]
.
"É necessário pôr fim a esta tendência de baixar as calças e às distinções hipócritas entre Islão terrorista e Islão pacífico", concluiu Calderoli.»


in Público online, 15.02.2006

No post O grande problema de hoje - parte IV disse que o Ocidente devia usar firmeza e inteligência. Adivinhem o que falta aqui...