Nem de propósito, o tipo de reacção que o Ocidente deve adoptar face ao extremismo islâmico tem estado em cima da mesa nos últimos dias.
A questão dos cartoons dinamarqueses liga-se, claro, à do Hamas, porque refere-se à posição dos ocidentais face ao extremismo e ao terrorismo religiosos.
E para mim a posição só pode ser uma: firmeza inteligente. Firmeza nos princípios fundamentais, inteligência na definição táctica.
A firmeza nos princípios fundamentais é imprescindível. Não podemos sacrificar as nossas liberdades à segurança (ou melhor, à ameaça do seu fim às mãos do terrorismo). Não podemos, muito menos, envergonharmo-nos delas. A Dinamarca é dos países mais tolerantes do mundo, que aceita a diferença e respeita a opinião contrária, que protege os desfavorecidos e acolhe os imigrantes, que acredita na liberdade de expressão e rejeita a ingerência do poder político nas esferas que lhe estão proibidas na Lei, que protege o indivíduo face ao abuso dos colectivos e rejeita o totalitarismo, tudo conforme as normas básicas de um Estado de Direito que se orgulha ser. E que todos nos devemos orgulhar de apoiar.
A Dinamarca é a liberdade. Imperfeita, melhorável, mas a liberdade. E a dignidade da pessoa humana.
Ora, o que são os extremistas? Sem rodeios: são o Totalitarismo, a mundividência cuja afirmação exige a negação das demais mundividências, a verdade única de auto-proclamada “vanguarda moral” do povo islâmico.
Naturalmente, o confronto com tal totalitarismo assusta-nos. Já teve etapas sangrentas. Queremos evitá-lo. Esperamos evitá-lo.
O problema é que o confronto interessa aos extremistas. O pior que pode acontecer aos extremistas é a dita normalidade democrática. Eles vivem do ódio e da turbulência, não do respeito democrático nem da tranquilidade. E por isso agitarão as massas sempre que se sentirem ameaçados.
Ora, o AKP rejeitou o extremismo na Turquia depois de ter chegado ao poder, a Fatah rejeitou o extremismo na Palestina depois de ter chegado ao poder, o Hamas começou já a ser pressionado (interna e externamente, como referi na parte III) a seguir idêntico caminho. No Afeganistão e no Iraque houve eleições democráticas. E também no Egipto e na Arábia Saudita (onde não houve invasão americana). No Líbano renasce a esperança.
Estas são boas notícias para nós – mas péssimas para os extremistas. É aqui, portanto, que vamos ser postos à prova. Nisto:
- Mantermo-nos firmes na defesa dos nossos valores de liberdade, democracia e dignidade da pessoa humana;
- Persistir nos esforços de democratização, estabilização e desenvolvimento do Médio Oriente, com a inteligência táctica de aceitar vitórias parciais mas progressivas em direcção ao objectivo final ;
- Pressionar israelitas e palestinianos para um acordo, aplaudindo cada sucesso, tendo cuidado para não vexar nem humilhar, pressionando para o evitamento de conflitos, lembrando a pressão e a esperança dos respectivos povos e do mundo.
No caso concreto dos cartoons, é preciso portanto que:
- Se repudie toda a violência resultante;
- Se rejeite como possível solução a ingerência de um governo na delimitação directa da liberdade de expressão, à margem do estipulado prévia e taxativamente na Lei;
- Se admita que os cartoons são de mau-gosto e susceptíveis de ofender os muçulmanos;
- Se afirme, no entanto, que o reconhecimento da liberdade passa, justamente, por respeitar aquilo com o qual à partida não concordamos.
- Voltando ao início, se insista que estas são as formas de organização das nossas sociedades pelas quais nos regemos e nos continuaremos a reger.
Firmeza nos princípios, inteligência nas tácticas. O nosso Ministro dos Negócios Estrangeiros não percebeu nem uma nem outra. Pior, subverteu-as. No que deveria ser firme, foi abaixo de mole – foi omisso, inexistente. Não ter feito uma única referência à inaceitável violência dos extremistas é imperdoável. No que deveria ser inteligente, jogando com as margens tácticas para cumprir a estratégia principal, foi inepto – enveredou por um suposto apaziguamento que soou inevitavelmente a cedência, sem sequer a mínima contracedência da outra parte. Foi Chamberlain sem sequer a aparência de Munique.
10.2.06
O grande problema de hoje - parte IV
9.2.06
A melhor piada de loiras de sempre!!
Vou para o inferno por esta, mas não posso deixar de vos mostrar aquela que provavelmente é a melhor piada de loiras de sempre!!!
8.2.06
O grande problema de hoje - parte III
Como pode a vitória do Hamas conduzir a uma vitória da Democracia sobre o terrorismo?
Real politik: o exercício do poder obrigará o Hamas a lidar com as pressões internas e externas. O que ocorrerá pela primeira vez (pormenor importante).
As pressões internas serão no sentido do milagre. Os palestinianos querem mais, muito mais, do que aquilo que têm neste momento. Querem paz, desenvolvimento, fim da corrupção. Mas também território, orgulho, dignidade. A Fatah falhou em todos estes campos. É claro que Israel não ajudou propriamente a Autoridade Palestiniana e a Fatah (muro de divisão, atentados a dirigentes radicais - por vezes atingindo inocentes -, constrangimentos económicos, etc), mas colocar-se-á sempre a questão do ovo e da galinha: quem "nasceu" primeiro, os atentados de radicais palestinianos ou os atentados israelitas?
Independentemente disso, a Fatah, aos olhos palestinianos, falhou. A vitória do Hamas, portanto, é uma vitória de uma imensa esperança. Do Hamas, como disse, os palestinianos esperam o milagre. Que, de resto, lhes foi prometido pelo Hamas.
No plano externo, claro está, as pressões serão no sentido da paz. Este objectivo, no entanto, é bastante genérico. Há vários tipos possíveis de paz. O Hamas diz que quer a paz - só que para o Hamas a paz implica o fim de Israel, com a região apenas para os muçulmanos. E Israel também quer a paz, mas mantendo a existência com o máximo possível de território. Em que sentido pode a comunidade internacional pressionar? Pode escolher um modelo de paz e pressionar as partes no sentido da sua aceitação? Ou deve limitar-se a promover negociações e esperar que as partes cheguem a acordo? Porventura começar por este último e, durante o processo, procurar mudar para o primeiro, como tem sido tradição.
A verdade é que estas pressões internas e externas serão uma novidade para o Hamas. E, para mim, vão interligar-se e interdepender-se.
De facto, o sucesso do Hamas em cumprir as esperanças internas depende da relação com Israel e com a comunidade internacional. Por exemplo, nas primeiras declarações do Hamas após a ameaça da UE em pôr fim à ajuda financeira que neste momento presta à Autoridade Palestiniana, os seus dirigentes desdenharam tal ajuda, por ser pouco importante e por poder ser colmatada com ajuda dos países islâmicos. Mas não rejeitaram a ajuda europeia, apenas disseram algo como "se quiserem, retirem-na". E não rejeitaram porque sabem que ela é importante para a economia palestiniana e que dificilmente os países islâmicos poderiam compensar a sua perda. Jogam, portanto, no bluff - mas estarão certamente preocupados devido às tais pressões internas para o desenvolvimento económico.
No fundo, a minha tese é esta: para responder às aspirações internas, o Hamas terá que ser realista no relacionamento com Israel e com o Ocidente. Como o foi a Fatah. Convém não esquecer que a Fatah já foi tão radical e terrorista como o Hamas. Mas, com o decurso das negociações, foi moderando o discurso e a acção (com ambiguidades em ambos, diz Israel).
A esperança é esta: que também o Hamas faça caminho idêntico. Como disse na parte II, o Hamas não é um conjunto de barbudos terroristas ignorantes. São extremistas, mas contam entre si académicos e intelectuais (nota: se a nós isto parece contraditório, lembremo-nos do fascínio que o totalitarismo comunista exerceu sobre tantos intelectuais ocidentais).
Real politik: o exercício do poder obrigará o Hamas a lidar com as pressões internas e externas. O que ocorrerá pela primeira vez (pormenor importante).
As pressões internas serão no sentido do milagre. Os palestinianos querem mais, muito mais, do que aquilo que têm neste momento. Querem paz, desenvolvimento, fim da corrupção. Mas também território, orgulho, dignidade. A Fatah falhou em todos estes campos. É claro que Israel não ajudou propriamente a Autoridade Palestiniana e a Fatah (muro de divisão, atentados a dirigentes radicais - por vezes atingindo inocentes -, constrangimentos económicos, etc), mas colocar-se-á sempre a questão do ovo e da galinha: quem "nasceu" primeiro, os atentados de radicais palestinianos ou os atentados israelitas?
Independentemente disso, a Fatah, aos olhos palestinianos, falhou. A vitória do Hamas, portanto, é uma vitória de uma imensa esperança. Do Hamas, como disse, os palestinianos esperam o milagre. Que, de resto, lhes foi prometido pelo Hamas.
No plano externo, claro está, as pressões serão no sentido da paz. Este objectivo, no entanto, é bastante genérico. Há vários tipos possíveis de paz. O Hamas diz que quer a paz - só que para o Hamas a paz implica o fim de Israel, com a região apenas para os muçulmanos. E Israel também quer a paz, mas mantendo a existência com o máximo possível de território. Em que sentido pode a comunidade internacional pressionar? Pode escolher um modelo de paz e pressionar as partes no sentido da sua aceitação? Ou deve limitar-se a promover negociações e esperar que as partes cheguem a acordo? Porventura começar por este último e, durante o processo, procurar mudar para o primeiro, como tem sido tradição.
A verdade é que estas pressões internas e externas serão uma novidade para o Hamas. E, para mim, vão interligar-se e interdepender-se.
De facto, o sucesso do Hamas em cumprir as esperanças internas depende da relação com Israel e com a comunidade internacional. Por exemplo, nas primeiras declarações do Hamas após a ameaça da UE em pôr fim à ajuda financeira que neste momento presta à Autoridade Palestiniana, os seus dirigentes desdenharam tal ajuda, por ser pouco importante e por poder ser colmatada com ajuda dos países islâmicos. Mas não rejeitaram a ajuda europeia, apenas disseram algo como "se quiserem, retirem-na". E não rejeitaram porque sabem que ela é importante para a economia palestiniana e que dificilmente os países islâmicos poderiam compensar a sua perda. Jogam, portanto, no bluff - mas estarão certamente preocupados devido às tais pressões internas para o desenvolvimento económico.
No fundo, a minha tese é esta: para responder às aspirações internas, o Hamas terá que ser realista no relacionamento com Israel e com o Ocidente. Como o foi a Fatah. Convém não esquecer que a Fatah já foi tão radical e terrorista como o Hamas. Mas, com o decurso das negociações, foi moderando o discurso e a acção (com ambiguidades em ambos, diz Israel).
A esperança é esta: que também o Hamas faça caminho idêntico. Como disse na parte II, o Hamas não é um conjunto de barbudos terroristas ignorantes. São extremistas, mas contam entre si académicos e intelectuais (nota: se a nós isto parece contraditório, lembremo-nos do fascínio que o totalitarismo comunista exerceu sobre tantos intelectuais ocidentais).
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Daí a vitória possível da Democracia sobre o extremismo islâmico: se o Hamas começar a moderar as suas posições, a trabalhar para a paz e o desenvolvimento, a abrir-se para o mundo, continuando a aceitar o jogo democrático na Palestina (o que é recente, visto que inicialmente recusou participar em eleições para uma Autoridade que considera insuficiente), então a Democracia terá vencido esta pequena mas porventura decisiva batalha.
Àqueles que neste momento me consideram lírico ou ingénuo, relembro as declarações de alguns dirigentes do Hamas após as primeiras reacções internacionais. A própria admissão de umas tréguas com Israel é já uma primeira cedência. Ou pelo menos moderação. As tréguas servirão para negociar, pública ou secretamente. O que é um primeiro passo.
A posição dos ocidentais nesta matéria é fundamental. Porque dela poderá resultar o desfecho. A ela me referirei no próximo post.
Àqueles que neste momento me consideram lírico ou ingénuo, relembro as declarações de alguns dirigentes do Hamas após as primeiras reacções internacionais. A própria admissão de umas tréguas com Israel é já uma primeira cedência. Ou pelo menos moderação. As tréguas servirão para negociar, pública ou secretamente. O que é um primeiro passo.
A posição dos ocidentais nesta matéria é fundamental. Porque dela poderá resultar o desfecho. A ela me referirei no próximo post.
6.2.06
4.2.06
O grande problema de hoje - intervalo!

Para desanuviar da situação no Médio Oriente (mas bastante a propósito), mais uma citação de Winston Churchill:
Fanático é aquele que não consegue mudar de ideias e que não aceita mudar de assunto.
Mais nada...
Próximos posts: o Hamas e a Democracia; a questão dos cartoons com Maomé e consequente ataque islâmico à liberdade na Dinamarca; a atitude necessária nos países ocidentais.
O grande problema de hoje - parte II
Na parte I procurei falar um pouco dos antecedentes da criação do Estado de Israel. Não vale a pena descrever todo o conflito israelo-árabe a partir daí. Basta referir:
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- Resolução das Nações Unidas de 1947 acaba com o Mandato Britânico e cria dois Estados, um israelita e outro palestiniano, ficando Jerusalém sob administração da ONU.
- Os judeus aceitam a Resolução e proclamam a Independência. Os palestinianos e os países árabes vizinhos recusam. Tropas libanesas, sírias, jordanas, iraquianas e egípcias invadem Israel (Guerra de 1948-49). Israel ganha a guerra e assina um armistício com os vizinhos.
- Novas guerras, ganhas pelos israelitas: Guerra dos Seis Dias (1967) e Guerra do Yom Kippur (1973).
- Acordo de Paz Israel-Egipto (1979), assinado pelo Presidente egípcio Sadat e pelo Primeiro-Ministro israelita Begin, que levou a uma visita oficial de Sadat a Israel. Sadat viria a ser assassinado em 1981, em parte devido à "traição" de estabelecer a paz com o Estado judaico e de o visitar.
- Intifada (1987-91 e 2000-2005): revoltas de rua levadas a cabo pelos palestinianos (cocktails molotov, arremesso de pedras, pneus queimados) como forma de resistência à ocupação israelita.
- Processo de paz - desde 1991, ocorrem periodicamente conversações entre israelitas e palestinianos. O primeiro acordo de relevo foi assinado em 1995 e levou à criação de uma Autoridade Palestiniana na Margem Ocidental e na Faixa de Gaza. De então para cá, o processo de paz tem conhecido avanços e retrocessos, em grande parte devido às desconfianças israelitas face às reais intenções dos palestinianos e ao seu real empenho em terminar com o terrorismo.
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E chegamos ao primeiro ponto onde eu queria chegar: a vitória do Hamas nas últimas eleições palestinianas.
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É para muitos estranho como o Hamas, partido radical e terrorista (ou próximo disso) venceu a Fatah (mais moderada e favorável ao processo de paz). Alguns não acharão estranho mas até natural, dado que se verificou na Palestina.
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No entanto, convém esclarecer que a situação da Autoridade Palestiniana estava longe de ser famosa: corrupção, excesso de recrutamento de pessoal, incapacidade para organizar e dinamizar a economia. Os palestinianos estavam fartos de uma Fatah que se mostrou incapaz de dar a paz ou o progresso. Corrupta e ineficaz. Logo, derrotada.
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Ora convém esclarecer também que o Hamas não é apenas um bando de barbudos terroristas: há no Hamas intelectuais e religiosos com elevado nível de erudição (se me permitem, são semelhantes aos intelectuais europeus de esquerda radical dos anos 60 e 70 - inteligentes mas fundamentalistas).
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Tudo misturado, não espanta que o Hamas tenha vencido.
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E quando tudo parece negro... eu encontro a maior das razões para a esperança. E não de um modo lírico, mas de um modo politicamente realista.
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E a esperança é esta: a vitória do Hamas pode conduzir a uma grande vitória da Democracia sobre o terrorismo (quiçá a primeira grande vitória).
(Continua)
O grande problema de hoje - parte I
Vou escrever aqui um conjunto de textos que fariam mais sentido no outro blog em que escrevo, o Arquipélago dos Gladiadores, mais dedicado às questões políticas. Mas vai ser aqui mesmo, por dois motivos: primeiro, os gladiadores nos próximos tempos vão estar ocupados com o tema da regionalização; segundo, o que vou escrever aqui não é apenas político - é humano, demasiado humano.
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O grande problema a que me refiro é o de Israel. Ou, melhor dito, o da Palestina. Acho que já é altura de escrever umas coisas sobre o assunto, que é um dos mais determinantes para o nosso futuro.
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Sem a resolução deste conflito, que abarca a questão de Jerusalém (cidade santa para ambos os lados do conflito e, ainda, para os cristãos), não poderemos evoluir muito no combate ao terrorismo. O conflito existente e a situação de Jerusalém são duas "fontes" de terroristas. Enquanto não se resolverem, os terroristas continuarão a emergir por todo o mundo islâmico.
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Por vezes há a tentação para descrever um quadro simplista na origem deste conflito: os judeus foram vitimizados na 2ª Guerra Mundial; os europeus e americanos sentiram-se mal com a perseguição que ao longo de séculos lhes moveram e que culminou com o Holocausto; o Ocidente "oferece" aos judeus um território na Palestina no final dessa guerra.
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Ora não foi bem assim.
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Nota Histórica
Já em 1862 Moisés Hess defendeu a ida dos judeus para a Palestina (foi um dos fundadores do socialismo sionista, que viria a inspirar vagamente os kibbutz e que me despetou o interesse por toda esta história). Mas a primeira grande migração de Judeus para a Palestina dá-se em 1882, quando judeus russos perseguidos nos terríveis "pogroms" de 1880-82 emigram para essa região. Foi a 1ª Aliyah ("ascensão", que é como os judeus chamam à migração para Israel).
Em 1883, Nataniel Birnbaum funda a Khadima, uma associação de estudantes judeus de Viena, Áustria. No ano seguinte, 1884, publica “Auto-Emancipação”, outro marco do movimento. É ele um dos grandes divulgadores do sionismo, o movimento que defende a instauração de um Estado judaico na Palestina.
Em 1890, os judeus representam cerca de 5% da população da Palestina (25.000 em 520.000).
O caso Dreyfus, em França, incrementou o movimento e, em 1897, é realizado o primeiro Congresso Sionista em Basileia, na Suíça, organizado por Birnbaum e por Teodoro Herzl.
Daí em diante o Congresso Sionista passou a reunir uma vez por ano. O movimento chegou a ponderar estabelecer-se noutros locais que não a Palestina (por exemplo, um território africano a ceder por alguma potência colonial europeia). No entanto, no 7º Congresso (1905) a maioria pronunciou-se contra essa hipótese, tendo apontado a Palestina como o seu único objectivo daí em diante. Desde 1905...
Em 1917, durante a 1ª GM, o Ministro dos Negócios Estrangeiros britânico (Arthur Balfour) promete aos judeus o estabelecimento na Palestina de um lar nacional (national home), embora respeitando os direitos dos cidadãos não judeus habitantes na região. Os motivos dessa promessa são alvo de especulação: desde procurar apoio nos Estados Unidos para a causa aliada até irritar o Império Otomano (que era aliado dos alemães e ocupava a Palestina), passando pela angariação de apoio entre judeus abastados para o esforço de guerra britânico, várias têm sido as explicações avançadas (provavelmente todas têm algo de verdadeiro). Embora considerada como um primeiro passo, a Declaração Balfour, como ficou conhecida, era prudente: falava em lar nacional (e não em Estado ou país).
Com o fim da 1ª GM e a derrota do Império Otomano, aliado dos alemães, a Palestina fica sob mandato britânico (British Mandate), de acordo com resolução da Liga das Nações.
A imigração judaica para a zona não pára de aumentar. Em 1922 a população judaica já ultrapassa a cristã (muçulmanos: 528.200 – 77%; judeus: 83.800 – 12%; cristãos: 71.500 – 10%). Em 1925 é criada a Universidade Hebraica de Jerusalém. Em 1936 a Comissão Peel (comissão britânica para decidir o que fazer na região) propõe a criação de um Estado judaico e de um Estado árabe, possivelmente adstrito à Jordânia. Judeus e árabes rejeitam o plano. A Comissão Woodhead, nomeada em 1938, propõe um Estado israelita mínimo (uma pequena faixa costeira com menos de 20 km de largura, representando apenas 5% da Palestina), um Estado árabe e o restante território, incluindo Jerusalém, permanecendo sob mandato britânico. Essa proposta é também rejeitada, sobretudo pelos judeus. Em 1936-38 há violentas insurreições muçulmanas contra a imigração judaica. Os britânicos lançam em 1939 um Livro Branco sobre a questão e restringem bastante essa imigração.
Portanto, o problema de Israel não surge apenas no fim da 2ª GM. Na década de 1930 já muitos milhares de judeus se encontravam na Palestina, sendo já cerca de metade da população em 1945. Desde 1905 que a Palestina era o objectivo único dos sionistas e em 1945 estavam muito perto de o conseguir. Ou seja, dificilmente aceitariam outra solução, na Europa ou noutro continente.
Em 1890, os judeus representam cerca de 5% da população da Palestina (25.000 em 520.000).
O caso Dreyfus, em França, incrementou o movimento e, em 1897, é realizado o primeiro Congresso Sionista em Basileia, na Suíça, organizado por Birnbaum e por Teodoro Herzl.
Daí em diante o Congresso Sionista passou a reunir uma vez por ano. O movimento chegou a ponderar estabelecer-se noutros locais que não a Palestina (por exemplo, um território africano a ceder por alguma potência colonial europeia). No entanto, no 7º Congresso (1905) a maioria pronunciou-se contra essa hipótese, tendo apontado a Palestina como o seu único objectivo daí em diante. Desde 1905...
Em 1917, durante a 1ª GM, o Ministro dos Negócios Estrangeiros britânico (Arthur Balfour) promete aos judeus o estabelecimento na Palestina de um lar nacional (national home), embora respeitando os direitos dos cidadãos não judeus habitantes na região. Os motivos dessa promessa são alvo de especulação: desde procurar apoio nos Estados Unidos para a causa aliada até irritar o Império Otomano (que era aliado dos alemães e ocupava a Palestina), passando pela angariação de apoio entre judeus abastados para o esforço de guerra britânico, várias têm sido as explicações avançadas (provavelmente todas têm algo de verdadeiro). Embora considerada como um primeiro passo, a Declaração Balfour, como ficou conhecida, era prudente: falava em lar nacional (e não em Estado ou país).
Com o fim da 1ª GM e a derrota do Império Otomano, aliado dos alemães, a Palestina fica sob mandato britânico (British Mandate), de acordo com resolução da Liga das Nações.
A imigração judaica para a zona não pára de aumentar. Em 1922 a população judaica já ultrapassa a cristã (muçulmanos: 528.200 – 77%; judeus: 83.800 – 12%; cristãos: 71.500 – 10%). Em 1925 é criada a Universidade Hebraica de Jerusalém. Em 1936 a Comissão Peel (comissão britânica para decidir o que fazer na região) propõe a criação de um Estado judaico e de um Estado árabe, possivelmente adstrito à Jordânia. Judeus e árabes rejeitam o plano. A Comissão Woodhead, nomeada em 1938, propõe um Estado israelita mínimo (uma pequena faixa costeira com menos de 20 km de largura, representando apenas 5% da Palestina), um Estado árabe e o restante território, incluindo Jerusalém, permanecendo sob mandato britânico. Essa proposta é também rejeitada, sobretudo pelos judeus. Em 1936-38 há violentas insurreições muçulmanas contra a imigração judaica. Os britânicos lançam em 1939 um Livro Branco sobre a questão e restringem bastante essa imigração.
Portanto, o problema de Israel não surge apenas no fim da 2ª GM. Na década de 1930 já muitos milhares de judeus se encontravam na Palestina, sendo já cerca de metade da população em 1945. Desde 1905 que a Palestina era o objectivo único dos sionistas e em 1945 estavam muito perto de o conseguir. Ou seja, dificilmente aceitariam outra solução, na Europa ou noutro continente.
Aliás, nessa época não lhes foi “dado” um território, foi reivindicado e conquistado por meios violentos, face aos britânicos e face aos vizinhos árabes. Esse é um erro comum em Portugal, dizer que os ocidentais deram um território aos judeus após a 2ª GM. Na verdade, desde a década de 30 que os judeus pressionavam fortemente os britânicos, num clima de quase-guerra de independência em que se destacava a Haganah - que significa A Defesa -, milícia que procurava defender de (e, dizem alguns, atacar a) britânicos e árabes, o que levou ao tal Livro Branco de 1939. Não quero com isto dizer que concordo nem que não concordo com a criação do Estado de Israel (lá chegarei mais à frente), mas apenas frisar que a sua história não começa em 1945 e que a sua criação não foi uma mera benesse dos países ocidentais. Os judeus estavam preparados para combater pela independência se as Nações Unidas não tivessem aprovado o Plano de Partilha de 1947! E provavelmente teriam ganho essa guerra face aos britânicos, como a ganharam no ano seguinte face aos árabes.
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O que acho da existência do Estado de Israel? Se estivéssemos em 1890, a minha resposta seria fácil: o sionismo não é aceitável. Ocupar progressivamente um território de outrém com o objectivo de o dominar não é aceitável. No entanto, desde os anos 30 que a única solução possível é a da existência de dois Estados. Esperemos que não demore muito porque quanto mais demorar, mais a região e o mundo sofrerão com isso. (Continua)
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O que acho da existência do Estado de Israel? Se estivéssemos em 1890, a minha resposta seria fácil: o sionismo não é aceitável. Ocupar progressivamente um território de outrém com o objectivo de o dominar não é aceitável. No entanto, desde os anos 30 que a única solução possível é a da existência de dois Estados. Esperemos que não demore muito porque quanto mais demorar, mais a região e o mundo sofrerão com isso. (Continua)
31.1.06
Humor britânico no seu melhor
"- Se fosse meu marido, servia-lhe veneno no seu chá!"
"- Se eu fosse seu marido, bebia-o."
Resposta de Winston Churchill a uma mulher com quem estava a discutir.
"- Se eu fosse seu marido, bebia-o."
Resposta de Winston Churchill a uma mulher com quem estava a discutir.
27.1.06
Os Fernandos Bravo à conquista do mundo (ou não, ou não)

Já experimentaram pôr o vosso nome no Google e ver o que aparece?
Eu já: apareceu um criador de software brasileiro (se o Bill Gates te comprar a empresa e ficares milionário, lembra-te aqui do primo portuga!), um realizador de cinema argentino (hola primo, quando filmes con Charlize Theron, avisa), um locutor de rádio e TV argentino (apresentador do Preço Certo argentino; na Argentina é que os Bravo estão a dar!), um tipo a fazer qualquer coisa de literatura hispânica na Polónia (“fernando bravo garcía - wyklada jezyk i literature hiszpanska na Uniwersytecie”: santinho!), um presidente da assembleia da Ordem dos Médicos da Grande Lisboa (L. Fernando Bravo Sousa Uva; será que ainda sou primo da mulher do Durão?; isto está tudo ligado...), um link para este blog e outro para uma entrevista que dei há uns anos. Isto tudo na primeira página.
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Mais para a frente, um Fernando Bravo candidato a Vereador na cidade de João Neiva (Espírito Santo, Brasil), pelo... PSDB (Partido Social Democrata Brasileiro)!!! Fantástico! Ele há coincidências! Infelizmente, parece que não foi eleito. Deixa lá primo, eleições há muitas, eu que o diga. Depois temos um campeão de ténis universitário mexicano e um investigador nos EUA (co-autor de "Alkene Substituents for Selective Activation of endo-Regioselective Polyepoxide Oxacyclizations": santinho ao quadrado!).
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Mas o melhor é um Fernando Bravo boliviano, envolvido num escândalo político-sexual, envolvendo um senador e tudo. Muito na moda, o meu homónimo boliviano. Senão, vejam: «En la otra acerca, la joven no pudo evitar mencionar la actuación de su ex-pareja Fernando Bravo, el padre de su hija, y quien se ha querellado contra el sacerdote. “Fernando es un mal agradecido porque el cura lo ha vestido y le ha dado educación desde que nosotros volvimos de Calama, entonces yo encuentro que eso es ser mala leche, mala gente, aunque yo sigo muy enamorada de él y ese amor no se me va a pasar”, sostuvo. A la vez añadió que “Fernando no es una mala persona, pero sí tiene problemas en la cabeza, tiene comportamiento bastante extraño”. Pero sus críticas no se detuvieron en este aspecto, pues adelantó que hubo roces en sus relaciones porque él era más de derecha, “desde que lo conozco sé que él es más seguidor de la derecha”.»
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Lá como cá, ser de Direita é pecado! E reparem que apesar de ele ser “mala leche” (expressão fantástica), ela continua “muy enamorada de él y ese amor no se va a pasar”.
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Enfim, o famoso efeito Bravo... ;)
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