16.10.05

Campanhas memoráveis... CDS-PP

Porto de Mós - mas há gangs em Porto de Mós?! Ou é para acabar com a Oposição?


Moncorvo - mas pode o quê?


Moncorvo - evoluir é engordar?


Chaves - cliquem na imagem para aumentar; vale a pena...


Chaves - idem!

Campanhas memoráveis... CDU

S. Brás de Alportel - reparem no slogan de baixo!

Campanhas memoráveis... Bloco

Trafaria - conselho: nunca tirar foto para cartaz em dia de ressaca...


Estremoz - a qualidade gráfica; a originalidade; o teaser do nome sem foto...


Estremoz - quantas horas de trabalho neste cartaz...

11.10.05

Fascista?

Cerca de 50 mil portuenses (20% da população) vivem em bairros sociais municipais, o que faz da Câmara do Porto o maior senhorio da Europa! Durante 12 anos de gestão Gomes/Cardoso, esses bairros foram degradando-se continuamente, estando em 2001 a precisar de obras profundíssimas. Para além do péssimo estado de conservação, encontravam-se completamente isolados da cidade, já que não havia ruas a "rasgar" os bairros que os condutores ou os peões usassem para ir de um ponto A a um ponto B da cidade. Os habitantes dos bairros faziam quase toda a sua vida exclusivamente nos bairros, indo tomar café à colectividade do bairro, fazendo as compras numa qualquer merceariazinha no bairro, etc. Havia (provavelmente ainda há, mas menos) crianças que nunca tinham visto o rio ou o mar. Eram autênticos guetos, com elevada criminalidade, baixa auto-estima e estigmatização dos habitantes.

Quando se candidatou à Câmara em 2001, inicialmente Rui Rio elegeu como prioridade para o seu mandato a recuperação da Baixa. Quando a campanha começou, rapidamente percebeu que a prioridade número um tinha de ser a coesão social e, em especial, a habitação social. Ao longo destes 4 anos, o orçamento da Câmara para os bairros mais que duplicou. E teria subido ainda mais, não fosse a deplorável situação financeira que o PS deixou.

Qual a estratégia? Começou por recuperar habitações devolutas. Depois, realojou pessoas que já viviam nos bairros, noutras habitações degradadas, nessas habitações reabilitadas, para depois recuperar as habitações de onde saíam. E assim sucessivamente, num trabalho que ainda dura e durará muitos anos. Só não realojava pessoas numa de três situações: pessoas que tivessem outra residência em seu nome (que, portanto, não precisavam de habitação municipal), pessoas que estivessem a ocupar ilegalmente uma habitação (que não tinham título da Câmara a conferir-lhes direito a essa habitação) e pessoas que demonstradamente utilizassem a habitação para actividades ilícitas (como tráfico de droga e/ou de armas).

Estas regras de alojamento levaram a oposição a chamá-lo de fascista e outras coisas do género.

Mas os resultados estão à vista: nas freguesias com mais bairros, Rui Rio subiu muito na votação. Em Lordelo do Ouro, freguesia com 50% (!!) da população a viver em bairros municipais, Rui Rio teve maioria absoluta. Em Aldoar (lembram-se dos famosos incidentes?), ganhou as eleições para a Câmara apesar de ter perdido as eleições para a Junta (para ver os resultados clicar aqui, escolher Distrito "Porto", concelho "Porto" e Freguesia "Aldoar", em seguida na linha "Comparativos" clicar "Câmara Municipal" para ver os resultados para a Câmara e clicar "Ass. de Freguesia" para ver os resultados para a Freguesia - não, não há links mais directos), o que mostra bem que as pessoas distinguiram uma e outra eleição e, no caso de Rui Rio, deram-lhe o seu apoio maioritário!

É por isso que eu digo aos meus amigos de Esquerda que Rui Rio tem mais sensibilidade social que todos os socialistas juntos e que fez mais em 4 anos pela coesão social da cidade do que o PS em 12 anos!

Para mais tarde recordar


Sexta-feira, 7 de Outubro de 2005. Último dia de campanha eleitoral. Caravana da coligação PSD/CDS junta várias centenas de carros junto na praça do Castelo do Queijo. Quando arrancou, a caravana estendeu-se do Castelo do Queijo à praia da Luz! A mostrar o caminho, um autocarro de 2 andares. No andar de cima (a descoberto), Rui Rio segue à frente (foto) e vai acenando às pessoas pelas ruas da cidade. A música chama as pessoas à janela. A adesão é fantástica.

Todos nos interrogamos: como é que as sondagens dão uma aproximação de Francisco Assis? Como é que a sondagem da TVI, saída na véspera, dá a vitória ao PS? Eu não conseguia acreditar. Não apenas pela caravana, mas porque ao longo de toda a campanha eleitoral senti um apoio maioritário e vi muita gente a dizer-se de Esquerda mas a garantir que ia votar Rui Rio. Mas as sondagens... Afinal de contas nas Legislativas as sondagens até tinham acertado. Fiquei a achar que íamos ganhar, mas com maioria relativa.

Domingo, 9 de Outubro. Fiquei numa mesa de voto (das 7 da manhã às 21h!!) e, um bocadinho antes das 19h, liguei o rádio do telemóvel (com auricular, não fosse ainda aparecer algum eleitor tardio). Ouço na TSF: "faltam 15 segundos para as 19h... vamos divulgar as primeiras projecções já a seguir... Carmona e Rio vencem." Bom sinal! Toca a desligar o rádio e a contar os votos.

Cerca das 21 horas, fim da contagem dos votos na minha mesa. Vou entregar os resultados ao secretariado e pergunto pelo resto: na minha freguesia, vitória quase certa (embora ainda faltasse metade das mesas); na cidade, vitória de Rui Rio, podendo chegar à maioria absoluta!

Cerca das 22 horas, todas as mesas da minha freguesia estavam contadas. Ganhámos! Siga prá Baixa! Declaração de vitória de Rui Rio e mini-caravana, agora à volta da Câmara Municipal e da Trindade. Para além do autocarro (fotos abaixo)...


... também um camião tipo "trio eléctrico", onde seguiu Rui Rio a agradecer aos apoiantes.



Cerca das 23 horas, a notícia: maioria absoluta na Câmara e, provavelmente, também na Assembleia Municipal! Festa total!

8.10.05

Porque voto Rui Rio

1. Pela política de habitação - por ter acabado com as "ilhas" municipais, por ter acabado com os casos de hiperocupação de habitações sociais (9 ou 10 pessoas num T2, por ex.), por estar a recuperar os bairros sociais (cujo abandono pelo PS foi o maior crime do séc. XX no Porto).

2. Pelo projecto de recuperação da Baixa - já não é só recuperar 2 ou 3 casas para acalmar a consciência, este é um projecto com pernas para andar.

3. Pela definição de prioridades correctas - e não em função dos votos, do espectáculo, dos jornais ou dos lóbis.

4. Pelo saneamento financeiro da Câmara.

5. Como disse há uns meses, pela determinação na prossecução do bem comum, imune à pressão anti-democrática mas ruidosa que lhe tem sido movida.

6. Pela honestidade.

Muitos dizem mal da política e reclamam políticos diferentes. Amanhã é dia de passar das palavras aos actos.

28.9.05

Os votos de Alegre

Parece-me que Manuel Alegre vai colher votos sobretudo entre pessoas de Esquerda que estariam a pensar em abster-se, por não se reverem no candidato "oficial" do PS (ou, pelo menos, no PS oficial) nem na Esquerda mais radical.

Isto é, vai colher votos entre os socialistas desencantados com os socialistas no governo.

Greves

Como muito bem notou Mário Pinto num artigo do Público de anteontem, cada vez há mais greves na função pública (quando comparado com as do privado - sinais dos tempos), o que demonstra bem como tem vindo a crescer o número de pessoas que trabalha para o Estado. E essa é uma das causas do défice, embora não a única nem porventura a principal.

24.9.05

Soares animador de festas


Soares anunciou que se candidatava a Presidente para combater o desânimo dos portugueses. Eu não quero um Presidente que anime, se não votava num dos Gatos Fedorentos ou no vocalista dos Ena Pá 2000!!

Não há dúvidas que as próximas eleições presidenciais vão permitir aferir a saúde mental dos portugueses...

António Lobo Antunes

A não perder a edição (para breve) de cartas de António Lobo Antunes à sua mulher, quando estava ao serviço do exército português na guerra colonial. Provavelmente será uma óptima ajuda para melhor perceber a presença recorrente dessa guerra na sua obra.

Lobo Antunes é um dos escritores da minha adolescência e pós-adolescência, tanto nas obras de ficção como nas crónicas. Sempre teve uma visão ácida da nossa sociedade. Mas enquanto nas primeiras obras essa acidez se transformava em sarcasmo iconoclasta (imperdível a crónica sobre os portugueses da era cavaquista a descobrirem a maravilha dos passeios dominicais, em fato-de-treino verde e roxo, pelos shoppings que abriam como cogumelos), a partir dos anos 90 foi-se tornando numa acidez mais amargurada, sem esperança, deprimente. Para mim, começou a entrar nessa estrada após "A Ordem Natural das Coisas".

A ver vamos se volto a descobrir o prazer de o ler que tinha há uns anos.