28.8.05

Vou de férias...







... volto dia 5!

Para mais tarde recordar...

Os melhores momentos do Circuito da Boavista.

O perigo do descrédito da Democracia

"A questão de fundo é esta: uma democracia em que Fátima Felgueiras, Valentim Loureiro, Isaltino Morais e Avelino Ferreira Torres «gozam» assim dela, é uma democracia carecida de ser refundada." Paquete de Oliveira, Jornal de Notícias, 27.08.2005

"Ou o Estado democrático resolve os problemas da República, ou alguém os resolverá contra ele." Manuel Alegre, Expresso, 27.08.2005

"Temo bem que Portugal se esteja a sul-americanizar e venha aí algum caudilho." Pedro Lomba, Grande Reportagem, 27.08.2005


Num artigo que escrevi em Março de 2004 e que coloquei neste blog (clicar aqui para ver todo o artigo), dizia:

"No entanto, convém recordarmo-nos da História: sempre que um regime democrático caiu e foi substituído por uma ditadura ou por uma refundação do sistema partidário, isso deveu-se ao descrédito dos políticos democratas. Lembremo-nos do fim da I República portuguesa, da criação da V República francesa com De Gaulle ou do fim dos partidos políticos tradicionais (Democracia Cristã, Partido Socialista, Partido Comunista) na Itália dos anos noventa. E eu penso que já estivemos mais longe disso no Portugal de hoje."

Penso que podemos estar mais perto de uma refundação do sistema partidário. Quando os portugueses se desiludirem de vez com Sócrates (se é que não se desiludiram já), será que vão voltar a dar a maioria ao PSD? Ou iremos assistir ao nascimento de novos partidos? Ou à subida eleitoral dos partidos mais radicais? É difícil prever. O que não é difícil de prever é que vamos assistir a mudanças. Logo se verá se para melhor.

26.8.05

A diferença

"Enquanto Rio for presidente e tutelar directa ou indirectamente a área do Urbanismo, não haverá vigarices".
Paulo Morais, vice-presidente da Câmara Municipal do Porto, in Visão, 25-08-2005

Como duplicar os fundos, por Avelino Ferreira Torres

Nos gastos das candidaturas agora divulgadas no site do Tribunal Constitucional, o nome de Avelino Ferreira Torres aparece em duas listas: a primeira, no lugar a preencher pelo nome da candidatura tem escrito "grupo de cidadãos". Ao lado, vem a sigla do movimento que o apoia: "Amar-Amarante com Ferreira Torres". Até aqui tudo bem. As contas totalizam 112.177 euros e 52 cêntimos quando, por lei, Avelino tem até direito a um pouco mais: 112.410 euros. [...]

Mais adiante, no entanto, eis que surge outra folhinha com outro total semelhante que, no lugar reservado ao nome da candidatura, colocou "AFT-Amarante com Ferreira Torres". Nada a ver, portanto, com a candidatura anterior... Esta apresenta no total das despesas a verba de 112.369 euros e 66 cêntimos. Para Ferreira Torres? Não! Este grupo, que usa o nome do autarca certamente por amor ("Amar", como sigla e mote, é aliás o que mais sobra na propaganda do candidato), surge para apoiar a candidatura da advogada Eugénia Maria Dias de Moura Teixeira à Assembleia Municipal. Logo, mais dinheiro.

Estaria, mais uma vez, tudo bem, se tal candidatura fosse completamente independente da de Ferreira Torres. Mas está tudo mal: porque, além da sigla (AFT são as iniciais do dito, como está bom de ver) e do nome do próprio Ferreira Torres usados nesta candidatura, há outra coincidência. Experimentem, na Internet, entrar no site avelinoferreiratorres.com. A seguir, cliquem em "O concelho"; depois, por debaixo de um mapa e da frase "listas candidatas pelo movimento AMARante", cliquem em Assembleia Municipal. Quem vão encontrar, logo na primeira linha? Precisamente Eugénia Maria Dias de Moura Teixeira.

Nuno Pacheco, in Público, 26-08-2005

23.8.05

O erro mental de Co Adriaanse

«O início do campeonato para o FC Porto foi feliz, já que se estreou com um triunfo sobre o Estrela da Amadora (1-0). No entanto, foi uma partida em que os dragões experimentaram algumas dificuldades. O técnico Co Adriaanse deu nota disso mesmo, ao referir no final não ter gostado do jogo, principalmente devido à ansiedade dos seus jogadores. “Não gostei do jogo. Na primeira parte estivemos ansiosos. Esperava marcar pelo menos três golos... Temos que melhorar mentalmente, porque não falta qualidade”.»
in O Primeiro de Janeiro, 23-08-2005

Regra número um da Psicologia, senhor Adriaanse: nunca se diz a alguém ansioso para se acalmar ou para não ficar nervoso. É totalmente contraproducente! E que tal contratarem um psicólogo do desporto? Sim, resultam mesmo.

Interculturalismo e segurança

Desde os atentados de 11 de Setembro nos Estados Unidos, bem como os que se seguiram em Madrid e em Londres, a crítica do multiculturalismo saltou para a agenda pública, como se nele residisse a causa do novo terrorismo internacional ou das tensões étnico-culturais na Europa. Destaca-se nessa crítica que as sociedades ocidentais são excessivamente tolerantes e permissivas na aceitação no seu seio da diferença cultural e religiosa, deixando até medrar radicalismos que lhe são hostis. Importaria, segundo esta perspectiva, recuar nessa abertura e estabelecer outros referenciais mais fechados e, presume-se, mais uniformes em termos religiosos e culturais. Esta tendência tem vindo a consolidar-se entre o "politicamente correcto" como se fosse inevitável e urgente. Ora tal leitura é precipitada e perigosa. [...] É importante perceber que não é a diversidade cultural que efectivamente está em causa, mas o radicalismo fora-da-lei. [...]

Num mundo globalizado, de fronteiras ténues e com uma mobilidade humana crescente, a presença da diversidade cultural não é uma opção: é uma realidade incontornável. Em 2001, a UNESCO, através da sua Declaração Universal da Diversidade Cultural, sublinhava que "em sociedades cada vez mais diversificadas torna-se indispensável garantir uma interacção harmoniosa entre pessoas e grupos com identidades culturais a um só tempo plurais, variadas e dinâmicas, assim como a sua vontade de conviver. As políticas que favoreçam a inclusão e a participação de todos os cidadãos garantem a coesão social, a vitalidade da sociedade civil e a paz". O multiculturalismo é, de todas as opções de gestão da diversidade cultural, a mais exigente: necessita, para o seu desenvolvimento, de convicção, investimento, negociação e transformação mútua. Este modelo permite às minorias étnicas a oportunidade de expressar e de manter elementos distintivos da sua cultura ancestral, especialmente língua e religião, acreditando que indivíduos e grupos podem estar plenamente integrados numa sociedade sem perderem a sua especificidade. De igual modo, defende a ausência de desvantagens sociais e económicas ligadas a aspectos étnicos ou religiosos, a oportunidade de participar nos processos políticos, sem obstáculos do racismo e da discriminação e o envolvimento de grupos minoritários na formulação e expressão da identidade nacional.

Mas esta afirmação de princípios é só uma face da moeda. Há outra sempre presente no verdadeiro multiculturalismo. Tomando a Austrália como exemplo, o modelo multicultural exige a aceitação das estruturas e princípios básicos da sociedade australiana, incluindo a Constituição e o quadro legal vigente, tolerância e igualdade, democracia parlamentar, liberdade de expressão e de religião, inglês como língua nacional, igualdade de sexos, e obrigação de aceitar que os outros expressem os seus valores. No Canadá, entre os três objectivos essenciais do multiculturalismo está a unidade nacional (para além da igualdade e a participação social).

Portanto, enganam-se aqueles que julgam ver no modelo multicultural o expoente máximo do laxismo e a origem da falta de coesão social. Nenhum modelo é perfeito e definitivo. O multiculturalismo pode e deve evoluir. Uma direcção possível - o interculturalismo - acentua o seu carácter interactivo e relacional. Mais do que uma co-existência pacífica de diferentes comunidades, o modelo intercultural afirma-se no cruzamento e miscigenação cultural, sem aniquilamentos, nem imposições. Muito mais do que a simples aceitação do "outro", a verdadeira tolerância numa sociedade intercultural propõe o acolhimento do outro e transformação de ambos com esse encontro. Assim importa, mais do que nunca, consolidar e aperfeiçoar o modelo de diálogo intercultural. Se não o fizermos, podemos estar a destruir as pontes que nos farão muita falta no futuro próximo. Porque para isolar os radicalismos, precisamos mais de pontes do que abismos.

Rui Marques, Público, 23-08-2005

Incêndios e celulosas

"As zonas florestais das celuloses são das menos afectadas por incêndios. O que é preciso é tornar a floresta rentável para todos."
António Costa, "Diário Económico", 23-08-2005

Parece-me que isso acontece porque as grandes empresas celulosas têm meios próprios de detecção e combate aos incêndios (contaram-me que pelo menos uma tem helicópteros próprios). Mas então é preciso que as nossas zonas florestais sejam todas propriedade dessas empresas ou, pelo menos, suas fornecedoras para acabar esta praga? Não há outra solução?!?!

22.8.05

Cerveja abençoada... e rara!

O site ratebeer.com elegeu a cerveja produzida pelos monges belgas do mosteiro de Saint Sixtus como a melhor do mundo. Resultado: ruptura total do stock, que seria para o ano todo! Acontece que os monges não produzem para lucro (é, ainda há gente assim, graças a Deus!), produzem apenas o necessário para financiar o mosteiro. Vai daí, pararam a a produção. É de mim ou estas louras belgas vão começar a surgir a preços proibitivos?

Vontade de trabalhar extraviada

Isto de ser carteiro não deve ser nada fácil. Carregar não sei quantos quilos de correspondência com chuva a potes, frio de rachar ou calor à alentejana, deve custar bastante. A tentação de deixar algumas cartas por entregar deve ser grande.

Um carteiro da Sardenha, Antonio Piras de seu nome, achou isso mesmo. E a polícia achou... milhares de cartas por entregar desde Março, "escondidas" no seu carro, no seu jardim e na sua casa. A prisão pode ir até 10 anos. Mas ao menos fica livre dos caprichos metereológicos...