Soares é o tipo de político que neste momento menos precisamos. É um excelente combatente político, capaz de mover montanhas pelos objectivos em que acredita (o que foi importantíssimo para o combate ao PCP e restante extrema-esquerda em 1974/75, bem como para o declínio de Cavaco Silva em 1994/95). É um excelente relações públicas, gerindo muito bem a sua rede de amigos artistas, cronistas,
opinion makers, etc. É um excelente manobrador de bastidores. É um político das fugas cirúrgicas à imprensa, da intriga, do boato, da armadilha, da cilada.
O problema é o resto. Não é um político de estudo de dossiers, de análises aprofundadas, de estratégias de desenvolvimento, de gestão do país. É um político de bastidores, não de gabinete. É um político de partido, não de governo. Como ficou comprovado quando foi Presidente e, sobretudo, quando foi Primeiro-Ministro.
Ora, nós precisamos do oposto. De uma garantia de acompanhamento exaustivo e pertinente (pertinente, repito!) da acção governativa. De um Presidente da República atento às políticas e não às politiquices. De um referencial de estabilidade. De Cavaco Silva.