9.7.05

Shahara

Shahara Akther Islam era uma alegre rapariga de 20 anos, muçulmana devota, com toda a vida pela sua frente.

Na 5ª feira tinha uma consulta no dentista antes de ir para o emprego no Co-operative Bank. Por isso despediu-se do irmão mais novo na casa deles em Plainstow, a leste de Londres, e partiu de metro. Era um dia como tantos outros. Nunca chegou ao seu destino.

Os terroristas não são muçulmanos, são simplesmente assassinos.

Para ver a notícia completa (em inglês, no Independent), clique aqui.

8.7.05

Londres III - Blair

"It is important, however, that those engaged in terrorism realise that our determination to defend our values and our way of life is greater than their determination to cause death and destruction to innocent people in a desire impose extremism on the world. Whatever they do, it is our determination that they will never succeed in destroying what we hold dear in this country and in other civilised nations throughout the world." Primeira reacção de Blair, ainda em Gleneagles, na cimeira do G8

"When they try to intimidate us, we will not be intimidated. When they seek to change our country or our way of life by these methods, we will not be changed.
[...]
We know that these people act in the name of Islam but we also know that the vast and overwhelming majority of Muslims here and abroad are decent and law-abiding people who abhor those who do this every bit as much as we do." Declaração de Blair, já em Londres

Londres II

"They will not change our way of life." Rainha Isabel II

"Atrocities such as these simply reinforce our sense of community, our humanity, our trust in the rule of law. That is the clear message from us all." Rainha Isabel II

"You cannot give in to this kind of thing. I think they're mistaken if they ever think that people would. Life will carry on." Thomas Carr, londrino, quando estava à espera de apanhar o metro, no dia seguinte aos ataques

"The City will be up and running again. These people won't have any effect." William Austin, trabalhador na City

Londres I


Medo. Confusão. Desorientação. Revolta. Regresso. Não necessariamente por esta ordem. Mas Londres vai regressar.

Al-Qaeda

Para a Al-Qaeda, só existe um código de vida. O cumprimento escrupuloso, frase-a-frase, palavra-a-palavra, do Corão. O texto fundamental dos muçulmanos não pode ser interpretado de outra forma que não a literal. Não pode ser interpretado à luz da época porque Maomé não se engana e, portanto, as suas palavras não foram produto do tempo mas guião para todo o sempre. Não pode ser interpretado à luz de uma Cultura porque Maomé não se engana e, portanto, as suas palavras não foram produto de uma Cultura mas da vontade divina. Não há interpretações, actualizações, compromissos, margens, avanços. O Corão é a verdade e o caminho. A única verdade e o único caminho. Por isso a Al-Qaeda só admite um tipo de sociedade, a sociedade taliban.

Consequentemente, para a Al-Qaeda só existem dois tipos de pessoas: fiéis e infiéis. Os fiéis devem seguir à risca os mandamentos do Profeta. Os infiéis, de qualquer forma ou feitio, não merecem qualquer respeito ou contemplação. Só lhes resta converterem-se. Enquanto não o fizerem, a sua vida não vale nada. Não interessa se são militares ou civis, governantes ou governados, crianças ou velhos. A sua vida não vale nada.

Isto é demasiado estranho para nós, ocidentais, para quem os direitos humanos fundamentais (e o direito à vida bem lá no cimo) se sobrepõem a convicções políticas, religiosas ou quaisquer outras. Porque para nós a condição humana sobrepõe-se à opção humana, seja ela opção religiosa, política ou outra.

Mas não para a Al-Qaeda. A opção religiosa não é na verdade uma opção, mas a única realidade possível. Não há alternativa. Portanto, há que combater os infiéis, as suas ideias, o seu modelo de sociedade. E convém lembrar que o seu combate não é só com os infiéis. É também com os muçulmanos que não seguem à risca o Corão, que não defendem uma sociedade taliban. Portanto, a Al-Qaeda não descansará enquanto todas as sociedades do mundo não forem sociedades taliban.

Como é óbvio, a Al-Qaeda nunca vencerá. Nem no mundo islâmico, nem no resto do mundo. O ser humano nunca aceitará um modelo único de sociedade. Cada vez suspeitamos mais de verdades absolutas. Identificamos constantemente as vantagens da diversidade. Se a Al-Qaeda representa algo em termos civilizacionais, é o passado. Que queremos bem longínquo.

Portanto, não temos alternativa. Temos que combater o totalitarismo islâmico (sim, porque se trata de um totalitarismo, como o fascismo ou o comunismo). Em todas as frentes. Na militar, claro. Mas sobretudo na ideológica. Teremos mais sucesso a combater a Al-Qaeda nas mesquitas por esse mundo fora do que em qualquer campo militar. Temos que apoiar, animar e fomentar os islamistas moderados, que aceitam a diferença, que valorizam a paz, que respeitam a vida. Para que a vida vença.

6.7.05

Os doutores palhaços

Há um ano que as terças-feiras no serviço de Pediatria do Instituto de Oncologia do Porto (IPO) causam alguma agitação. É o dia da dupla de palhaços profissionais da "Operação Nariz Vermelho" levar alegria ao 12º andar, tornar diferente o ambiente nas 27 enfermarias e procurar que a palavra "esperança" venha à mente.

Veja a notícia completa aqui.

Regresso às origens

A pedido de várias famílias, este blog volta à sua imagem inicial.

1.7.05

É, mudei o visual...

... mas tenho a impressão que vou voltar a mudar!

HOJE, 17h30, mantém-se a esperança na Invicta

Rui Rio apresenta hoje, às 17h30, a sua recandidatura à Câmara Municipal do Porto.

Os portuenses só têm de agradecer terem um presidente centrado na recuperação dos bairros sociais e na recuperação da Baixa. Um presidente preocupado com as pessoas e não com o espectáculo. Um presidente que luta pelo bem geral, imune às pressões de lóbis e interesses particulares. Um presidente que não se rege pelos jornais, que não muda de caminho pela pressão da opinião pública ou publicada. Um presidente que saneia as contas da Câmara em período recessivo da economia (comparem com as outras Câmaras, de qualquer partido!).

Um presidente que é um político na acepção mais nobre da palavra: determinado na prossecução do bem comum, imune à pressão anti-democrática mas ruidosa que lhe tem sido movida.

Um presidente que é preciso reeleger.

Direitos adquiridos (Miguel Sousa Tavares)

"A primeira designação que se deu aos célebres "direitos adquiridos" foi a de "conquistas da Revolução". Em seu nome, o PCP, a CGTP e a extrema-esquerda batalharam durante anos para que na Constituição e nas leis se mantivesse inalterável o processo de ruína económica do país iniciado em 11 de Março de 1975, com as expropriações e nacionalizações de tudo o que era actividade económica privada[...]. Limpa a Constituição de alguma da sua baba ideológica, retomado algum bom senso na gestão económica do país, as "conquistas da Revolução" recolheram ao museu leninista de onde tinham sido episodicamente ressuscitadas e foram substituídas, no léxico reivindicativo corrente, pelos "direitos adquiridos". Por "adquirido" entende-se, basicamente, tudo aquilo que foi sacado ao Estado: regalias, estatutos, dinheiro, licenças, subsídios, autorizações. Não abrange apenas situações dos trabalhadores ou pensionistas públicos, mas de toda a gente que, num momento ou noutro, teve a oportunidade de pedir e obter qualquer coisa do Estado. [...] Uma vez estabelecido o "adquirido", ele passa a ter a qualificação de "direito". [...]

Pode um desses "direitos adquiridos" não ter a mais pequena justificação social ou política, pode resultar de simples favor ou privilégio estabelecido momentaneamente ou à socapa. Não interessa: uma vez concedido, para sempre garantido. [...]

As centrais sindicais - a CGTP por convicção e estratégia, a UGT pelo eterno medo de ficar atrás - andam entusiasmadas com tanta contestação. Vão ensaiando greves e manifestações, até ao ensaio geral da greve da função pública, para daí passarem a essa coisa sagrada e mítica que é a greve geral nacional. Eu, no lugar dos seus dirigentes, teria mais cautelas: como revelou a sondagem do PÚBLICO, segunda-feira passada, está já estabelecida uma clivagem clara, a nível de opinião, entre os funcionários públicos e os restantes trabalhadores. E estes, que estão expostos aos despedimentos e encerramento de empresas, a salários que não são aumentados ano após ano, a horários semanais de 45 ou 50 horas, que não têm direito a baixas prolongadas e constantes, nem a férias de seis ou oito semanas anuais, nem a licenças sem vencimento quando querem, nem a reformas antecipadas, começam a questionar-se sobre os privilégios de que uns gozam e outros não. Daí até perceberem que quem paga esses privilégios, além do mais, são eles, vai um pequeno e perigosíssimo passo."
Miguel Sousa Tavares, in Público de hoje (disponível online só para assinantes); selecção e negrito meus.